Ao contrário do que seria de esperar, a entrevista do Primeiro-Ministro, José Sócrates, na passada segunda-feira à SIC quase passou sem que os partidos da oposição se manifestassem de forma veemente. Não obstante terem surgido algumas reacções, especialmente dos partidos à esquerda do PS, estas foram inequivocamente reacções brandas e preenchidas das já comuns generalidades a que nos têm habituado quer o PCP, quer o BE. O que não seria de esperar, ou talvez já deveria ser, era que Ferreira Leite não tenha aproveitado o momento para aparecer, enfim, com algumas propostas de soluções para um 2009 que começa de forma tão difícil do ponto de vista económico-financeiro. Porém, talvez esta ausência da presidente do PSD não seja tão estranha quanto possa, à primeira vista, parecer. Afinal a ausência de soluções e a consciência de que a única contribuição que deu, enquanto governante, para as finanças públicas foi um conjunto de medidas vazias, terão levado a que Ferreira Leite se tenha refugiado num dos seus vices para se salvaguardar de questões difíceis e embaraçosas.
Questões difíceis e embaraçosas foram as que Ricardo Costa e José Gomes Ferreira tentaram colocar a Sócrates. Mas em nenhum momento o Primeiro-Ministro se deixou enredar naquele longo editorial preenchido de preconceito político. Afinal, jornalistas que opinam (ao estilo TVI) e que pura e simplesmente não questionam, e cuja única acção que se lhes pode atribuir é um ataque político constante, levam a crer que o seu papel não era certamente o de entrevistadores mas sim de mandatários políticos.
Sócrates esteve atento e respondeu a todas as acusações sempre com a maior serenidade, tratasse-se da crise internacional, da possibilidade de surgimento de um novo partido político ou até da aprovação do Estatuto dos Açores. Quem talvez não tenha ficado tão confortável terá sido o Presidente da República que, pela primeira vez, se viu responsabilizado por não ter enviado ao TC os dois artigos que tanto o acossaram. Afinal, tratando-se essa de uma possibilidade tão legítima quanto o veto político, só por razões de receio se justifica que o não tenha feito. Constitucionalmente o Parlamento confirmou o diploma e Cavaco foi “forçado” a promulga-lo.
Num momento político tão tenso, ser capaz de somar tantas vitórias em tantas frentes de batalha será certamente a justificação para a confiança que o Primeiro-Ministro conseguiu transmitir ao país.
Rui Estêvão AlexandreMembro Fundador do Clube de Reflexão Política a Linha
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