Como de costume, a campanha do BE revela a maior das eficiências, forçar os outros a responder-lhe. Mas, mesmo quando a resposta é mais séria que a campanha, persiste o problema: há uma Esquerda que se julga moralmente superior (curioso tique comunista) e rebaixa os outros como gestores mais ou menos inconscientes do «sistema». Isto do «sistema» faz lembrar o lúcido discurso de um Dias da Cunha, mas nem é preciso entrar em futebolices. Observe-se como estas seis petições de princípio começam e acabam com a negação do PS como sendo de Esquerda. Afinal de contas, que é isso de democratizar, descolonizar, integrar Portugal na UE, reformar os sistemas de educação, saúde, etc., contrariar a privatização da segurança social e a venda da dívida fiscal, descriminalizar a IVG, etc., etc., etc.? Resposta: «gestão». Eis uma análise à altura dos cartazes.Há de facto, um problema com a «extrema-esquerda», mas não é ser dita «extrema». Mais grave, é não ser «esquerda». Só o pode ser quem reconhece a diferença (em vez de apenas a apregoar contra outros), seja face a outras esquerdas seja face à Direita. Mas só assim, em nome da «verdadeira Esquerda», se pode falar de outro governo sem nunca ter de o praticar, já se sabe...