O LEGADO DE ABRIL NA HISTÓRIA DE UM PORTUGAL DEMOCRÁTICO

Vasco Lourenço e Alfredo Barroso - Num jantar que contou com mais de uma centena de pessoas, Vasco Lourenço e Alfredo Barroso partiram as suas memórias e evocaram os valores de Abril e o legado da "Revolução dos Cravos" na história de um Portugal democrático.

JOSÉ LUÍS JUDAS NO JANTAR DO CLUBE A LINHA

O Clube A Linha contou com a presença de José Luís Judas onde foi especificamente abordado o processo de concepção e execução da estratégia e do projecto que conduziu à vitória do Partido Socialista nas eleições autárquicas em Cascais, com o slogan "mudança tranquila".

VÍTOR RAMALHO NO CLUBE A LINHA

Vítor Ramalho, Presidente da Federação de Setúbal do PS, recordou a matriz genética do partido Socialista, debruçando-se especificamente sobre os desafios autárquicos com que o PS se vê confrontado no Distrito de Setúbal, apresentando a estratégia política seguida nas últimas eleições autárquicas, bem como o caminho que se está a trilhar naquele distrito.

OS DESAFIOS DO CRESCIMENTO ECONÓMICO

Vieira da Silva e Pedro Marques - Cascais acolheu José António Vieira da Silva e Pedro Marques para mais um debate promovido pelo Clube A Linha, onde os convidados partilharam com o auditório, a sua visão sobre os desafios que Portugal enfrenta em matéria de crescimento económico.

OS DESAFIOS AUTÁRQUICOS DE 2013: CONTRIBUTOS PARA A ACÇÃO POLÍTICA

José Junqueiro - Perante um auditório lotado, José Junqueiro sublinhou a importância das próximas eleições autárquicas para o Partido Socialista, onde se irão sentir pela primeira vez os efeitos da limitação de mandatos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Opinião de João Rodrigues dos Santos: Investigue-se!

Nesta fase do ano muito se fala e escreve sobre solidariedade e como podemos e devemos contribuir para um mundo melhor.
É uma espécie de moda anual que acompanha o aniversário do nascimento de Jesus.
A palavra solidariedade é, por isso, tão repetida que corre o risco de perder o seu sentido mais puro, isto é, há quem se aproveite daquela palavra para se promover, ou mesmo, para enriquecer à custa da desgraça alheia.
É que ser solidário é ajudar quem precisa, não é aproveitar-se de quem menos tem; é aliviar a dor de quem mais sofre e não agudizá-la; é atenuar as preocupações do próximo e não ampliar inquietações.
Naturalmente que estes exemplos são redutores da ideia de solidariedade, pois a sua aferição deverá ter em conta, acima de tudo, o sentimento de quem dela usufrui ou deveria usufruir.
E nesta perspectiva seria interessante "investigar" o sentimento geral dos utentes das nossas instituições de solidariedade social como um critério de avaliação e daí fazer depender a atribuição do beneplácito público.
Ora, como há tantas instituições no concelho e como seria preciso começar por algum lado, eu, de uma forma aleatória (claro), sugiro que se inicie pelo... Lar da Boa Vontade, em Carcavelos!
João Rodrigues dos Santos
Membro-fundador do Clube de Reflexão Política A Linha
Presidente da Associação Amigos dos Paredão

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Fernando Pessoa: O Voto é...



"O voto é (...) a expressão de uma convicção política; isto é de uma ideia; ora o instinto, e tal é a opinião pública, tem por natureza não ter ideias".

Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, Introdução e Organização de Joel Serrão, Lisboa, Ática, 1980, p. 297.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Divulgação dos próximos eventos promovidos pela Linha

Dia 15 de Janeiro (5.ª feira)

"A Crise Internacional: Reflexos no Modelo de Governação"
Centro Cultural de Cascais - 21h00

Oradores:

Carlos Monjardino - Presidente da Fundação do Oriente
João Cravinho - Admnistrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento










Dia 23 de Janeiro (6.ª feira)

Conversas na Linha com Alexandre Faria
Secção do Estoril do PS - 21h00

O Clube de Reflexão Política A Linha e a Secção do Estoril do Partido Socialista, têm o prazer de a(o) convidar para a discussão do livro de Alexandre Faria "Em Busca do Autarca Perdido", que terá lugar no próximo dia 23 de Janeiro, 6.ª feira, às 21h00, na Secção do Estoril do PS - Av. Florinda Leal, n.º 22 - 1.º Dto, Estoril.
Alexandre Faria, Advogado e deputado municipal em Cascais, retrata nesta obra a evolução histórica do autarca português, bem como diversas experiências e sentimentos relativos às autarquias portuguesas, procurando lançar novos olhares sobre o papel do autarca e dos partidos políticos no actual dimensão do Poder Local.

Boas Festasssssssssss!

O Clube de Reflexão A Linha, deseja a todos os seus membros, amigos e visitantes do nosso Blog um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Obrigado pela vossa visita, e esperamos continuar a contar com o vosso apoio e participação ao longo de 2008.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Política Educativa em debate - Alcabideche 17 de Dezembro

No passado dia 17 de Dezembro, realizou-se na Escola Secundária Ibn Mucana um debate sobre Política Educativa promovido pela Juventude Socialista de Cascais, pela Secção de Residência do PS de Alcabideche e pelo Clube de Reflexão Política a Linha.
A moderação do debate esteve a cargo do professor universitário José Brites, e contou com as presenças de Duarte Cordeiro, Secretário-Geral da Juventude Socialista, da Professora Doutora Ana Marques Guedes e do coordenador da Juventude Socialista em Cascais João Rocha.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Marcos Sá e Rui Oliveira e Costa em Acção de Formação sobre Sondagens Eleitorais e o Marketing Político

Na sequência das várias iniciativas promovidas pelo Clube A Linha, com o objectivo de aprofundar a reflexão e o debate político, realizou-se no passado dia 11 de Dezembro, a Acção de Formação “Outros Olhares sobre as Sondagens Eleitorais e o Marketing Político”, que contou com as presenças de Marcos Sá, Deputado da Assembleia da República e Presidente da Comissão Política de Oeiras do PS e Rui Oliveira e Costa, administrador da Eurosondagens.

O moderador da sessão, Miguel Figueiredo, Deputado Municipal e mestre em gestão (área de marketing), recordou que a palavra Marketing vem do termo “market” (mercado) e diz respeito ao estudo dos mercados, em particular à recolha e tratamento de informação sobre as necessidades e preferências dos públicos-alvo, bem como à concepção das estratégias de produto e de comunicação, sendo que estas devem resultar da informação recolhida e dos objectivos da organização.

Acrescentou ainda que na política, conhecer os desejos e as necessidades dos cidadãos nada tem de negativo. Pelo contrário, não é ignorando o sentimento e a vontade das populações que se consegue fazer um programa político coerente com uma ideologia e em simultâneo aderente à realidade. Não se trata de ir ao sabor da opinião pública em detrimento das propostas que consideramos mais justas. Trata-se de melhorar a forma de fazer chegar as nossas ideias e de obter mudanças de atitude por via de uma comunicação mais eficaz.

Sublinhando que as sondagens são um instrumento de análise e de trabalho, Rui Oliveira começou por fazer a analise das eleições no concelho de Cascais ao longo dos últimos anos, relevando a sua representatividade face à área metropolitana de Lisboa e a nível nacional.

A importância e a fiabilidade das actuais sondagens nos processos eleitorais foram, igualmente, destacados pelo orador que perante uma audiência atenta apresentou o exemplo das recentes eleições regionais dos Açores e a relação do abstencionismo no grau de “certeza” nas previsões.

Através da análise de vários exemplos de sondagens e de resultados eleitorais, Rui Oliveira e Costa introduziu no debate a noção de que a maioria é por definição silenciosa, expressando o seu sentimento nas urnas.

O candidato forte não é necessariamente aquele que tem maior notoriedade, mas sim o que reúne as principais características pessoais e que compõe o perfil recomendado: carisma, capacidade de resolução de conflitos, poder de antecipação da vontade popular, competências de planeamento e direcção, em suma as características de um líder”. Foi com esta intervenção provocatória que Marcos Sá, Deputado da Assembleia da República, iniciou a sua intervenção na Formação em LINHA.

Recordou que se aproximam eleições decisivas para o Partido Socialista, as quais exigem o contributo de todos os socialistas. “Temos de aprender com os erros do passado e ser consequentes com o nosso discurso político. É impensável adiar o combate político… tal postura teria sérias consequências no desfecho das eleições”.

Marcos Sá aproveitou ainda para fazer análise comparativa entre o Marketing Político e o Marketing Comercial, realçando a orientação por princípios do primeiro face aos critérios de natureza mercantil do segundo, sublinhando ainda que o Marketing Político, como qualquer ferramenta, pode ser bem ou mal utilizado. É sobre a sua utilização que devemos centrar a nossa atenção.

No decurso da sua apresentação, Marcos Sá apresentou o trabalho concreto que neste domínio tem vindo a desenvolver na Concelhia de Oeiras, lançando o desafio às concelhias limítrofes do PS, nomeadamente Cascais e Sintra, de se articularem esforços neste e noutros domínios concretos.

Perante a proximidade temporal entre as próximas eleições legislativas e autárquicas – que no limite poderão ser agendadas para o mesmo dia – coloca-se a questão da mensagem política a transmitir. Com efeito, foi sublinhado pelos oradores que se corre o sério risco de tais mensagens se transformarem num “ruído ensurdecedor”, fruto da proliferação de temas nacionais e regionais a debater pelos vários partidos. Esta é pois uma questão central com que se confrontarão as equipas de coordenação das campanhas eleitorais.

Umberto Pacheco, actual Deputado da Assembleia da Republica e anterior Presidente da Comissão Política Concelhia de Cascais do PS, a pedido da organização da acção de formação, fez uma análise crítica sobre a evolução dos resultados eleitorais no Concelho de Cascais. O Homem que conduziu os destinos do PS em Cascais durante mais de 10 anos, reforçou a importância da mensagem política deixada por Marcos Sá, no sentido em que o contributo de todos é fundamental e nunca será demais.
F.M.M.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mensagem de Marcos Sá





"A Linha certa está no centro da nossa mão"










sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Carlos Leone: Os socialismos de Mário Sottomayor Cardia

Quando tanto se fala (e vai continuar a discutir-se, decerto) o que é ou não socialismo, vale a pena lembrar um dos raros pensadores políticos portugueses originais e pertinentes, Mário Sottomayor Cardia (1941-2006).
Como já escrevi sobre ele em vários locais (na net, por exemplo no site do Instituto Camões, e em livros publicados na Tinta da China e na Imprensa Nacional), aproveito o site de A Linha apenas para lembrar o contributo de Cardia para a discussão do socialismo em Portugal.


Quando membro do PCP, criticando o leninismo; quando dirigente do PS, criticando o marxismo; quando afastado da política activa, criticando todas as derivas tecnocráticas e o conservadorismo que têm em comum, tantas vezes sem o saber. Esta acepção de crítica, claro está, não é a de uma acusação permanente, menos ainda de um queixume indiscriminado. Pelo contrário, sempre foi um projecto positivo. Comunista, bateu-se pelo «eurocomunismo» antes mesmo de este existir. Socialista, bateu-se pela justiça social distributiva («socialismo de distribuição») com recurso apenas supletivo à nacionalização (típica do «socialismo colectivista»). Republicano e liberal no sentido original do termo (pelas liberdades contra qualquer autoritarismo), mesmo afastado da vida política activa nunca deixou de se empenha nas causas que entendia justas (desde a despenalização do aborto à condenação do ataque a Belgrado em 1999).


Quem quiser saber o que é uma política de Esquerda alternativa, isto é, um uma política socialista democrática orientada para a realização de um programa positivo e não apenas visando a contestação, pode ler ainda com muito proveito, um livro intitulado Socialismo Sem Dogma, que Cardia publicou em 1982 na Europa-América. Há cerca de um ano, perguntava-me um académico português há muitos anos a trabalhar nos EUA: mas o que é que o Cardia diz além do já dito por Giddens? Vindo de quem vinha não era insulto à «3ª via», por isso nem perdi tempo a assinalar as diferenças e indiquei o óbvio: Cardia escreveu baseado na prática política, bem complexa, e fê-lo dez anos (ou mais) antes de Giddens. Pena é que em Portugal se pretenda debater o socialismo com tão pouco conhecimento do que outros, antes de nós, já pensaram. Há esquecimentos muito convenientes para se continuar a alimentar fantasmagorias políticas.

Carlos Leone (autor de O Essencial sobre Sottomayor Cardia, INCM, 2007 e co-organizador, c/ M. Rêgo, do volume Liberdade Sem Dogma, homenagem a Sottomayor Cardia, Tinta da China, 2007)

Link para Instituto Camões:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/figuras/mariosottomayorcardia.html


Carlos Leone
Membro do Clube de Reflexão Política a Linha
Membro do Clube do Chiado

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Opinião de Diana Valle-Flôr: Conjuntura Económica-Social Portuguesa como ultrapassar?

Somos socialistas, e como tal está no nosso sangue e em nosso poder a união, sem nunca esquecer que esta faz a força.
O facto de muitos não acreditarem no Estado, no Governo e nas politicas económicas-sociais implementadas pelo PS traz a Portugal, a todos nós portugueses, graves consequências, o que nos obriga a uma maior união, de modo a ajudar Portugal, Ajudar todos os Portugueses.

Repare-se que esta conjuntura económica desfavorável, mas acredito que momentânea, não se deve à falta politicas económicas e sociais estruturadas pelo nosso Primeiro Ministro, advém sim do anterior Governo do PSD, que deixou a economia portuguesa e o Estado Português em "real baixa", primeiro o défice e segundo a desconfiança que gerou em todos os Portugueses, levou-nos a todos uma situação delicada, situação que o Governo Socialista tem vindo a recuperar, no entanto a Crise Internacional apresentou-se como obstáculo ás nossas missões.

Ao longo destes anos de mandato do Governo Socialista note-se que o défice foi reduzido, os impostos diminuídos, novas políticas sociais, no âmbito do desemprego, novas legislações que protegem os mais carenciados, investimos ainda no desenvolvimento de empresas, no desenvolvimento do sistema educativo, criámos reformas no sistema de saúde necessárias e muito mais, e com um único objectivo Ajudar Portugal, Ajudar todos os Portugueses, e se Portugal não se encontra em Recessão Técnica deve-se a todos os Portugueses e ao Governo Socialista, mas precisamos de acreditar mais...

Estamos a ser afectados pela Crise Internacional, mas não estamos em recessão técnica, o primeiro passo para ultrapassar esta conjuntura económica é acreditar no Governo, só com a ajuda de todos os Portugueses é possível. Li um artigo de opinião que dizia o seguinte: "o primeiro passo criar emprego, segundo passo criar emprego, terceiro passo criar emprego". Não meus Senhores não, primeiro passo acreditar, segundo passo e importante desenvolvimento ultrapassando a crise que nos rodeia, como? O nosso poder de compra aumentou, uma vez que a conjuntura económica se tornou desfavorável ás empresas, tornou-se favorável aos consumidores, visto que as empresas se viram obrigadas a reduzir os preços de mercado devido à crise, assim com o mesmo salário, podemos consumir mais.

Compreendo a poupança e deve ser feita claro, mas a economia fundamenta-se na troca de bens, serviços e produtos pela moeda, se não houver transição a economia estagna com risco de declínio, que é o que estamos a assistir.Note-se também que é um bom período de investimento para nós Portugueses. Os preços de mercado estão baixos e investindo levamos ao desenvolvimento de Portugal e das Empresas, inclusive à criação de novos postos de trabalho, é imprescindível, confiar-mos em nós Portugueses e no Governo Português Socilalista, que neste momento está a fazer o possível e o impossível para todos nós, Portugueses, ultrapassar-mos esta crise.

O Governo Português Socialista é um Governo Sempre Presente e preocupado com todos os Portugueses, contrariamente ao testemunho da Drª Manuela Ferreira Leite que diz que "o Governo está sempre a chegar atrasado", noticia Lusa (http://diario.iol.pt/politica), quando li confesso que ironicamente me ri, pois é grave tal testemunho e de certo não foi para rir, uma vez que já conhecemos em tempos como Ministra das Finanças a Drª Manuela Ferreira Leite, e diga-se que o resultado foi negro, mas enfim, não pretendo ferir susceptibilidades e o importante é o Presente.

Penso que neste momento a própria Drª Manuela Ferreira Leite deveria mais rapidamente preocupar-se em ajudar os Portugueses e o Governo Socialista Português, em vez de se preocupar em atacar o nosso Governo com criticas destrutivas.

Acredito que unidos podemos superar rapidamente este enquadramento económico, o nosso pensamento deve ser positivista e não nos devemos deixar desmerecer por certos e determinados meios de comunicação, que por vezes apenas sustentam a crise afectando a nossa confiança.

Acreditar é Ajudar!

Diana Valle-Flôr
Finalista de Gestão (Em Erasmus em Poznan - Polónia)
Fundadora do Clube de Reflexão Política - A Linha

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Café Debate: Comércio da Parede e a Linha de Cascais (Passado e Futuro)

No âmbito da iniciativa Conversas na Linha, realizou-se no passado dia 2 de Dezembro, no Café Limo Verde, um debate sobre o tema “Comércio da Parede e a Linha de Cascais: Passado e Futuro, que contou entre outros com a presente de muitos comerciantes da Parede, bem como do Presidente da Junta de Freguesia da Parede.

Rui Ângelo, que foi o moderador da sessão, apresentou o tema em análise , salientando a importância desta iniciativa no contexto das preocupações do Clube da Linha, i.e., o de reflectir sobre os problemas concretos dos cidadãos, procurando em especial contribuir com propostas concretas exequíveis para a resolução dos mesmos.

A sessão esteve a cargo de Celso Bispo, um conhecido empresário local, que reflectiu sobre a importância do comércio tradicional ou independente em Parede, e de Pedro Canelas, empresário e anterior Presidente da Associação Empresarial do Concelho de Cascais, que apresentou possíveis soluções futuras para o sector.

Com efeito, Celso Bispo apresentou uma resenha histórica do papel do comércio como motor do desenvolvimento e salientou a importância da Parede no Concelho de Cascais, focando em especial o papel fundamental que o comércio desempenha no contexto económico concelhio. No decurso da sua intervenção apresentou ainda o resultado de dois inquéritos que este efectuou, destacando os seus aspectos positivos e negativos, bem como possíveis linhas de intervenção, de modo a fazer face a alguns constrangimentos que o comércio na Parede vive.

Por seu turno, Pedro Canelas apresentou um possível modelo de intervenção, que poderia ser adoptado no Concelho de Cascais, tendo em atenção as especificidades deste sector, reforçando a ideia de que qualquer que seja o modelo a adoptar, este terá necessariamente de contar com um forte empenhamento das entidades (locais, oficiais, comerciantes) no sentido de assegurar uma mudança de atitudes e comportamentos.

O anterior Presidente da Associação Empresarial do Concelho de Cascais aproveitou ainda a oportunidade para lançar um desafio aos comerciantes de Cascais, apelando a uma maior união entre os comerciantes, nomeadamente através da a criação de um sistema associativo com regras e fundos próprios a fim de poderem fazer face às dificuldades inerentes à situação privilegiada em vários aspectos que têm os “Centros Comerciais”.

Seguiu-se um debate vivo e muito interessante, no qual muitos dos comerciantes presentes tiveram a oportunidade de expor de viva voz muitas das dificuldades sentidas. Entre algumas das dificuldades, inúmeras vezes repetidas, encontram-se as dificuldades de estacionamento e segurança, a falta de apoio das entidades públicas aos pequenos comerciantes em contraposição às enormes facilidades dadas às grandes superfícies.

No final, ficou a promessa por parte da Linha de continuar a promover encontros sobre este tema específico noutras freguesias do Concelho de Cascais, os quais culminarão com a elaboração de uma proposta concreta a apresentar a várias entidades públicas e privadas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Opinião de Porfírio Silva: 10 teses sobre a crise da avaliação docente

Tenho dedicado algum tempo nos últimos dias a escrever sobre as mais recentes evoluções do processo da avaliação dos professores. A escrever na blogosfera, onde se reage de forma rápida e espontânea a notícias, a tomadas de posição, a provocações. Onde, necessariamente, somos polémicos, às vezes agressivos, onde nos irritamos com o que os outros dizem e irritamos os outros com o que dizemos. Onde cada comentário é fragmentário e às vezes parece o que não é. Onde somos sempre lidos como simplistas, e/ou tendenciosos, e/ou injustos. Assim sendo, e porque não prescindo da minha condição de cidadão, e de opinar sobre o que me parece importante para o país, mas não gosto que tomem o meu dedo mindinho pelo meu corpo todo, decidi tomar a responsabilidade de organizar as minhas ideias gerais sobre esta questão num único texto. Longo. Que agora aqui deixo.

Nas 10 (pomposamente chamadas) teses, que se seguem, começo por abordar algumas questões que dizem respeito à concepção da própria democracia que subjaz às minhas posições nesta matéria, opino sobre algumas questões de método que penso deveriam ser esclarecidas neste debate – e termino com algumas sugestões quanto ao futuro deste debate nacional. Os subtítulos têm carácter meramente editorial: as "teses" devem ser lidas como um todo.

Peço aos que o leiam que não o julguem uma opinião sobre "os professores" ou sobre qualquer grupo. Mas que também não pretendam que alguém esteja acima da crítica. É uma opinião sobre um problema. E só vale a pena falar de problemas sérios com frontalidade.

***
Democracia e participação

1. Os professores têm direito à contestação e à luta. Como todos os cidadãos. Isso não impede que, quanto à apreciação da legitimidade dos métodos, haja uma diferença entre defender direitos e liberdades fundamentais ou defender interesses especificamente profissionais. Certos métodos, mesmo extremos, podem justificar-se plenamente no primeiro caso: até a revolução é admissível. Mas os critérios serão outros para defender causas profissionais: o direito ao boicote, à desobediência, ao desrespeito pela lei, não encontra a mesma justificação neste caso. E essa desproporção de meios está a acontecer neste caso. O boicote orquestrado ao funcionamento normal das escolas, em desafio à legalidade e mesmo aos acordos firmados livremente, incluindo o clima de insulto generalizado, é desproporcionado como meio de reivindicação profissional em democracia.

2. Os interesses profissionais dos professores, como de qualquer outro grupo profissional, devem poder ser objecto de negociação séria. O governo deve entender que a formação de uma solução para um problema tem mais hipóteses de sucesso se for negociada com os interessados. E essa participação é, para os profissionais envolvidos, parte dos seus direitos de cidadania. E esse valor é de primeira importância. Por isso mesmo: primeiro, isso implica direitos e deveres para ambas as partes. A negociação de má-fé, por exemplo praticada como técnica de gestão de calendário, foi usada neste caso e isso é criticável. E, segundo, nem todas as negociações podem ser bem sucedidas; algumas não devem mesmo ser bem sucedidas. Porque os poderes públicos têm obrigação de não ceder naquilo que julgam ferir o interesse geral; o governo será julgado, democraticamente, pelos seus juízos nessa matéria. Mas está no seu papel ao assumir esses juízos e governar em conformidade. É ilegítimo contrapor ao exercício da autoridade democrática um outro exercício, o da concertação social, como se esta pudesse anular ou substituir aquela.

3. Num Estado democrático, tal como o concebo, as corporações não têm um papel político de primeiro plano. Chamo corporações a grupos, de base sectorial incluindo "capital" e "trabalho", ou de base profissional, que pretendem tomar o poder de definir as regras de funcionamento de uma parte da sociedade ou de uma parte do Estado em função dos seus próprios interesses, fazendo-os prevalecer sobre os interesses legítimos de outros grupos. Neste caso concreto, alguns entendem que cabe aos agentes educativos definir as políticas para a escola, falando como se o governo fosse um intruso na escola e como se a educação fosse dos professores. Numa sociedade democrática aberta, os grupos existem, e devem existir, e desempenham um papel no apuramento da opinião e das soluções, e podem ter variados níveis de autonomia na gestão dos assuntos que lhes concernem - mas, quando toca a questões de interesse geral, não podem definir "reservas territoriais" onde pretendam reinar com exclusão de todos os outros interesses e de onde queriam excluir a autoridade democrática representando o interesse geral segundo as leis da república. Em última instância, o interesse geral, avaliado pelos poderes públicos constituídos democraticamente, deve sobrepor-se ao interesse sectorial avaliado por grupos específicos.

4. A opinião democrática não é uma opinião técnica. Um mesmo problema de sociedade pode ser abordado a vários níveis e o nível técnico não pode legitimamente tentar eliminar o nível político. Assim, não é aceitável que alguns professores procurem desvalorizar as críticas à sua luta com argumentos do género: "vocês não sabem o suficiente do modelo para opinar". Isso equivale a uma tentativa de transformar um debate político num debate técnico - para depois monopolizar a opinião nesse debate ("ninguém sabe melhor do que os professores como as coisas se passam, logo nenhuma opinião pode contrariar a dos professores"). Para os termos do debate democrático, neste caso concreto, posso saber várias coisas sem entrar nos detalhes do modelo. Por exemplo. Nenhum modelo é perfeito, logo tentar eliminar um modelo por ele não ser perfeito equivale a tentar matar antecipadamente todos os modelos que venham a ser tentados. Mais: nenhum modelo pode ser aperfeiçoado apenas em teoria, pelo que é na prática que ele vai mostrar os ajustamentos necessários e, nunca passando à prática, nunca chegamos a apurar nenhum modelo. (“Faz-se caminho ao andar.”) Existindo estruturas de acompanhamento da implementação deste modelo, e não tendo os representantes dos professores investido em apresentar casos de dificuldade para os tentar resolver, faltaram a uma parte significativa das suas responsabilidades sociais e, quem assim age, indica que para si (não digo que seja para todos os professores) o problema não é "esta" avaliação, mas "a" avaliação - porque deixaram por mostrar o seu empenho num aperfeiçoamento progressivo e cauteloso. Estando acordado um calendário para, já em 2009, voltar a negociar sobre os resultados da primeira fase de implementação, os representantes dos professores, ao quebrar agora o diálogo, partindo agora para a recusa total, mostram que verdadeiramente acham que podem impor ao país a sua solução, só essa e mais nenhuma. Este debate é um debate democrático, não é um debate técnico: tentar fazer dele um debate técnico para afastar os discordantes é pouco democrático. Os professores devem ao país uma participação cidadã responsável nos mecanismos institucionais criados para aperfeiçoar o modelo de avaliação.

A avaliação docente na escola democrática

5. O que está essencialmente em causa é a própria existência de avaliação com consequências. Sublinho: com consequências. Afirmar que "sempre houve avaliação" é um mero jogo de palavras. (E processar o PM como "mentiroso" por causa disso é um sinal de "falta de rins" no debate político democrático.) A avaliação "à antiga" tendia a colocar a esmagadora maioria dos professores no mesmo patamar e tinha uma influência muitíssimo insuficiente em termos de progressão na carreira segundo o mérito e o desempenho. Ligar fortemente a avaliação à progressão diferenciada na carreira é essencial para que a avaliação tenha significado efectivo na vida das escolas. A pretensão de que todos os professores possam atingir o topo da carreira, aquilo que Ferreira Leite chama "não haver quotas administrativas", é um incentivo a voltar às piores práticas burocráticas da administração. E é uma exigência absurda comparada com qualquer outra classe: era como se todos os militares pudessem ser generais (ou marechais?) e todos os juízes pudessem ter um lugar no Supremo, ou todos os professores universitários pudessem ser catedráticos. Essa exigência é um absurdo, e essa exigência é um factor decisivo nas verdadeiras motivações para a contestação dos professores. Uma classe docente dinâmica terá de aceitar mais diferenciação, assente na avaliação do mérito e do esforço, ultrapassando o quadro mental que julga sempre preferível o igualitarismo burocrático.

6. A cultura de avaliação é um elemento fundamental da cultura profissional e da cultura de organização. A desvalorização deste tópico reflecte o atraso da cultura organizacional predominante no nosso país (tanto no sector privado como no público). A expressão tão ouvida nestes dias – “Deixem-nos ser professores” – quer dizer basicamente isto: o nosso trabalho é ensinar, não é avaliar os colegas, a avaliação é desperdiçar tempo que seria útil a ensinar por causa de coisas inúteis que são laterais à nossa função. Mas essa ideia está radicalmente errada: a escola é uma organização, os professores trabalham em equipas e, em qualquer organização e qualquer equipa deve haver cooperação e, para isso, parte das tarefas essenciais são precisamente organizativas. Como, vitalmente, é o caso da avaliação. É por causa de o exercício avaliativo ser intrinsecamente inerente ao exercício profissional qualificado que a avaliação interna pode eventualmente ser complementada, mas não substituída, por uma avaliação externa. Por outro lado, a confusão perniciosa entre relações profissionais e relações pessoais, misturada com uma concepção paternalista das relações de trabalho, alimenta o medo da avaliação rigorosa. Escrever que “a avaliação fomenta problemas interpessoais entre professores” (Daniel Sampaio, Pública, 16/11/08) é tentar infantilizar os professores, como se eles fossem incapazes de fazer da avaliação um exercício profissional (como fazem tantos outros profissionais altamente qualificados) e só pudessem cair na armadilha de fazer da avaliação profissional uma questão de conflito pessoal. Avaliar-se, avaliar as equipas em que participa, participar no exercício colectivo de avaliação, são componentes centrais do exercício profissional qualificado em organizações focadas em missões.

7. A desestabilização radical da escola pública, nos termos em que tem acontecido ultimamente, poderá tornar-se a breve prazo na justificação há muito esperada pelos que pretendem levar avante um forte movimento de privatização da escola pública. A percepção, por parte da opinião pública, de que a escola pública foi tomada por um grupo profissional que coloca os interesses gerais a reboque de interesses particulares, motivada pela preservação de condições profissionais de que mais ninguém goza, poderá ser uma poderosa alavanca para a promoção dos interesses privatizadores, que a prazo tenderiam a acentuar o papel da escola como mecanismo de reprodução das desigualdades sociais prevalecentes. E, na verdade, quando se chega a uma situação de bloqueio institucional, quando se esgotam as vias de modificação pacífica de um estado de coisas que não satisfaz, a tentação da “bomba atómica” pode prevalecer. Contudo, a reacção adequada não é reforçar o carácter centralista e uniformizador do sistema. É urgente colocar em novos moldes, decididamente, a questão da autonomia das escolas, centrando essa autonomia na missão educativa, na competição pela qualidade para todos (e não só para os afortunados), na inserção local – e definindo desse modo o conteúdo da responsabilização, da avaliação e dos prémios ao esforço.

Para uma negociação verdadeira

8. Uma negociação que aspire ao sucesso (acordo substancial e sustentável) tem de centrar-se nos verdadeiros problemas que preocupam as partes – e não restringir artificialmente o cardápio dos problemas ou das soluções, porque isso empurra as partes para posições de fachada, destinadas apenas a evitar adiar um prejuízo temido. Dotar as negociações de um cardápio de verdade pode implicar reabrir dossiers considerados fechados, por muito que isso desagrade ao ME. Por exemplo, a percepção de que o preenchimento dos lugares de professor titular deu lugar a injustiças, seja em muitos ou poucos casos, é um factor de envenenamento de todas as situações conexas. Questões ligadas à autoridade dos professores na escola, por exemplo, podem também ter de ser invocadas. Pode ser necessário alargar o âmbito da negociação actual, de forma a colocar em jogo todos os factores que realmente pesam nas posições de fundo das partes, condição indispensável para uma negociação em bases verdadeiras.

9. Uma negociação efectiva só é possível entre verdadeiros representantes das posições em presença. Na actual situação, a unidade dos professores é em larga medida uma unidade pela negativa: a unidade dos professores contra o ME esconde reais e profundas divergências, no seio da classe, acerca da avaliação propriamente dita e acerca do próprio modelo de escola que convém ao país. Continuar a conceder o exclusivo da negociação aos sindicatos, quando há sectores dos professores que não se reconhecem neles, é insusceptível de facilitar uma viragem positiva que interesse a todas as partes. O quadro convencional e legal não facilita a mudança imediata desta realidade, mas é preciso encontrar alguma forma de fazer emergir representações das diversas posições que existem no seio da classe. A crise do modelo tradicional de sindicalismo caiu com força em cima desta negociação – e ela não terá sucesso sem atender a essa questão que só aparentemente é instrumental.

10. Uma negociação efectiva só pode ocorrer entre propostas alternativas que representem as diferentes visões de forma suficientemente global para tirarem da sombra todos os pressupostos negociais. Uma negociação assimétrica, em que uma das partes assume todo o risco da proposição e as outras partes só têm de contrariar as propostas apresentadas, está condenada a ser uma negociação meramente táctica: uma guerra de trincheiras, concentrada apenas em minorar perdas, incapaz de colocar em cima da mesa o essencial – e, portanto, insusceptível de gerar um acordo genuíno, sólido, sustentável e duradouro. Uma negociação efectiva entre o ME e os professores tem de centrar-se em alternativas coerentes, articuladas, que representem diferentes visões globais, e que apareçam à luz do dia para serem escrutinadas – e só essa negociação poderá ser leal e produzir resultados.

Porfírio Silva
Doutorado em Filosofia da Ciência
Investigador no Instituto de Sistemas e Robótica (Instituto Superior Técnico)
Membro do Clube de Reflexão Política a Linha
P.S.: Este post foi anteriormente publicado no Machina Speculatrix

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Opinião de Pedro Canelas: Política Discutindo...

Ouvi esta semana na rádio um debate sobre o tema ”Democracia, um modelo ultrapassado?”.

Fiquei chocado, mais uma vez, com a postura e atitude dos mais jovens e adolescentes perante a Politica e os sues actores, infelizmente talvez por uma observação incauta e até uma grande dose de alienação.

O negativismo e alienação estão decididamente mal orientados e será preciso fazer um trabalho de base, from scratch, junto dos nossos cidadãos, principalmente se forem cascalenses (60% não participaram nas últimas Autárquicas).

Chapeladas, caciques, usurpação do erário público e demais (liguem a TV pelas 20h00 e encontram mais exemplos) contribuem para este sentimento se fortalecer. A minha única experiência na política deixou-me chocado perante amigos e conhecidos que me viravam as costas ao saber que já pertencia á classe dos comilões.

Perante este cenário existem dois caminhos a seguir ou juntas-te á indiferença ou lutas contra uma serie de adjectivos, todos do lado do negativismo.

Parece-me ter escolhido a segunda opção e apenas por uma razão!!!

Tive a sorte (foi mesmo por sorte ou coincidência) de encontrar um conjunto de cascalenses muito motivados e voluntariosos, dispostos a lutar pela mudança em plena época do Yes we can.

Foi assim que nos juntamos e criamos o Clube de reflexão politica – A Linha, curiosamente vestindo fatos de macacos com tintas, broxas e trinchas nas mãos.

Logo me apercebi que era um grupo de trabalho, pois os poucos políticos que conheço (nem todos obviamente) gostam mais de dizer que trabalham do que o agarrar pela frente. O grupo é constituído por cidadãos sem preconceitos, malta simples, interessada e informada, as tarefas são distribuídas por especialistas das áreas que pretendemos abordar e que vão surgindo ao sabor das ideias.

O nosso caminho e feito a caminhar, uns dias mais depressa outros nem por isso, o importante é engrossar as fileiras e principalmente alinhar sempre no espírito, entusiasmo e camaradagem que nos fizeram unir pelo gosto da nossa causa e principalmente por queremos mudar qualquer coisita aqui em Cascais.

Agora que olho para trás e após alguns meses, fico feliz porque já conseguimos traçar um caminho e mostrar que é possível começar do zero na politica, pôr a pessoas e principalmente os cidadãos a falar e discutir qualquer assunto, afinal é essa a nossa Missão, a Politica no seu melhor.

Sabemos que não vai ser fácil, conciliar as rotinas e afazeres de cada um com esta cruzada, mas queira o futuro que nos conserve a motivação e união para continuar o nosso caminho, caminhando…

Pedro Canelas
Empresário
Membro-fundador do Clube de reflexão política "a Linha"

sábado, 6 de dezembro de 2008

Artigo de Opinião: Marketing Político - Modo de Usar

Muita gente identifica o Marketing como sendo uma forma de “impingir” produtos ou serviços ou ainda, no campo político, candidatos e programas. Deste modo, são muitos os militantes políticos, nomeadamente socialistas, que sentem os seus ideais profanados quando se fala na utilização do Marketing na política.

Tal sentimento de incompatibilidade entre Ética política e Marketing não tem razão de existir, se soubermos o que é o Marketing e se este for correctamente aplicado.

A palavra Marketing vem do termo “market” (mercado) e diz respeito ao estudo dos mercados, em particular à recolha e tratamento de informação sobre as necessidades e preferências dos públicos-alvo, bem como à concepção das estratégias de produto e de comunicação, sendo que estas devem resultar da informação recolhida e dos objectivos da organização.

Na política, conhecer os desejos e as necessidades dos cidadãos nada tem de negativo. Pelo contrário, não é ignorando o sentimento e a vontade das populações que se consegue fazer um programa político coerente com uma ideologia e em simultâneo aderente à realidade. Não se trata de ir ao sabor da opinião pública em detrimento das propostas que consideramos mais justas. Trata-se de melhorar a forma de fazer chegar as nossas ideias e de obter mudanças de atitude por via de uma comunicação mais eficaz.

O Marketing, como qualquer ferramenta, pode ser bem ou mal utilizado. Não é o Marketing Político que está em causa, mas sim a sua utilização e, porque não escrevê-lo, os escrúpulos dos políticos que o usam. Podem usá-lo bem. Por vezes usam-no mal.

Exemplos de bom uso:
- ouvir atentamente e tratar de forma assertiva os cidadãos nas sessões públicas dos órgãos autárquicos (neste domínio a atitude de António Capucho não é exemplar).
- conhecer bem as opiniões do público, em vez de ir no embalo de conversas de auto-satisfação interna do tipo “eles não se entendem” ou “é um marasmo” (atenção PS!).
- ganhar credibilidade junto da população reconhecendo os erros e simultaneamente comunicando os sucessos e os progressos realizados.

Exemplos de mau uso:
- o aproveitamento das falhas de execução dos investimentos municipais para obter um superavit orçamental e depois fazer um show-off com esse superavit anunciando a sua utilização em investimentos (os mesmos ou outros) a meio do ano seguinte. Isto foi o que António Capucho fez e não é bom uso do Marketing, mas sim propaganda.
- saber-se pelas sondagens que um Partido num determinado município tem a vitória assegurada, independentemente do candidato, e provocar movimentações internas, nomeadamente transferências de militantes entre secções, para conquistar poder dentro do Partido ganhador. Isto acontece quando o Marketing é utilizado sem escrúpulos por grupos particulares de interesses.
- fazer campanhas com promessas irrealistas. Nalguns públicos o descrédito é imediato. Noutros, a desilusão vai engrossar o grupo dos abstencionistas.

O objectivo deste texto foi o de contribuir para desfazer os preconceitos em relação ao Marketing, porque muitas vezes as ferramentas precisam de marketing para serem compreendidas e bem usadas. O Marketing Político não é excepção.

Miguel Figueiredo
Mestre em Gestão (área de Marketing) pelo INDEG / ISCTE
Membro da Assembleia Municipal de Cascais
Membro-fundador do Clube de Reflexão Política “A Linha”

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Formação em Linha:Outros Olhares sobre as Sondagens Eleitorais e o Marketing Político (11 de Dezembro)















O Clube de Refexão Política A Linha promove no próximo dia 11 de Dezembro, 5.ª feira, a acção de formação - Outros Olhares sobre as Sondagens Eleitorais e o Marketing Político -, a qual terá lugar às 21h00, em Alcabideche, na Secção de Residência de Alcabideche do PS (Rua das Acácias n.º 61/61-A Abuxarda).

Dado o número limitado de vagas disponíveis, agradeçemos que as inscrições sejam remetidas para clubealinha@gmail.com

Brevemente serão divulgadas as próximas acções de formação promovidas pela Linha, que terão especial incidência na área da Formação Autárquica.

Para eventuais esclarecimentos, por favor contactar:
António Miranda - 916002025;
Fernando Montenegro - 936250822

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

“Acção Socialista” - 30 anos ao serviço do PS









"A razão de ser do PS é servir Portugal e os portugueses. A razão da existência do “Acção Socialista” é servir os socialistas.
Cumprem-se, a 30 de Novembro, 30 anos de edições do “Acção Socialista”, mais precisamente 1316 edições do órgão de Comunicação Social que pretende levar a todos os militantes do PS a informação mais relevante do nosso partido.

Estes 30 anos de “Acção Socialista”, que fazem parte da história do nosso partido, foram um contributo para o PS que hoje somos. As vitórias, as derrotas, os combates, sempre centrados no bem-estar dos portugueses, fazem parte do património do maior partido português, mas também do seu jornal.
Em especial os fundadores do “Acção Socialista” merecem o nosso agradecimento e reconhecimento pelos primeiros tempos de afirmação de um jornal que é uma referência no jornalismo partidário português. Igual palavra de referência é justa para todos os antigos directores, os seus colaboradores e os militantes, dirigentes ou não, que escrevem e enriquecem regularmente o conteúdo do “Acção Socialista”.

Este aniversário do “Acção Socialista” ocorre num momento em que o PS se prepara para um ano de grandes e decisivos combates eleitorais. O próximo ano, com eleições europeias, legislativas e autárquicas, precisa de todos os socialistas mais determinados e mais informados sobre a acção política que o PS desenvolveu nestes últimos mandatos na política europeia, nacional e autárquica. Nessa tarefa, o papel do “Acção Socialista” é essencial e, por isso, coincidindo com o aniversário, o site internet do “Acção Socialista” será reformulado, incorporando novas funcionalidades no arquivo de edições, bem como a publicação e a organização de um arquivo permanente e de fácil acesso pela Internet em que, por ordem cronológica e numerados, sejam conservados todos os textos enviados por via electrónica para o “Acção Socialista” com o pedido de publicação por militantes do PS, ou simpatizantes inscritos nos ficheiros centrais, aliás, em conformidade com n.º 5 do Artigo 7º dos Estatutos.
Esta medida, muito importante para facilitar a apresentação e o debate de ideias no interior do PS, bem como a conservação da sua memória, é um contributo também para que os cidadãos possam ter mais informação sobre o nosso partido. E esta opção, tornada agora mais acessível a todos, faz parte do código genético do PS: um partido que está sempre aberto à pluralidade de opiniões e que ao contrário de outros desconhece o delito de opinião.
Mas este é também um contributo para que medidas semelhantes sejam adoptadas por outros partidos. Ganha a democracia. Ganham os portugueses. Ganha o PS."
Jorge Seguro Sanches
Director do Acção Socialista

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Artigo de Opinião: A escola ou a política? O alvo da «rua» e as tarefas dos democratas

Ao contrário daqueles que querem ouvir a «rua», enquanto se dizem contra o sequestro do Estado de Direito por grupos de pressão, não vejo nada de novo nos recentes episódios de ataque à equipa do ministério da Educação. Por muito que me desagrade a tecnocracia politicamente frágil que por ali vai, quer a qualidade intrínseca das medidas quer a intenção dos seus responsáveis não me merecem a menor dúvida, por maiores reservas que me suscitem certas medidas específicas. A acusação de arrogância e autismo, mais a mais vinda daqueles que menos admitem os próprios erros e responsabilidades, não me merece qualquer crédito (quem duvide que siga as posições dos sindicatos que se recusam declaradamente a negociar sem que ninguém veja aí arrogância). Estamos perante, apenas, novas instâncias de problemas já conhecidos e que não ofereciam dificuldades de previsão.

Em resumo, a actual conflitualidade não visa apenas, nem sequer sobretudo, a ministra da Educação. Visa a autoridade do Estado e, com ela, a liderança política do PS e sua capacidade de mobilizar os portugueses em 2009 para a continuidade do processo de reformas, na Educação e em numerosos outros sectores. Actualmente, como já tantas vezes, qualquer protesto serve para prever a perda da maioria absoluta. Mas, com a oposição estagnada, nem isso deve ser tomado por garantido. Aliás, a polarização antigovernamental, da Extrema-Esquerda à Direita conservadora, pode mesmo servir de oportunidade para o PS falar aos eleitores habitualmente abstencionistas, o que será, a meu ver, o verdadeiro o seu verdadeiro teste. O teste da governabilidade da nossa democracia, na qual quem combateu o Estado Novo é insultado de «fascista» e importunado nas suas actividades regulares por quem não tem nem legitimidade (como é obvio) nem moral para acusar quem quer que seja. Aqueles que falam da «rua» para esconder a total falta de propostas políticas próprias.

Se for capaz de atrair para a participação eleitoral aqueles que habitualmente prescindem do voto, o PS (mesmo que perca a maioria absoluta) mostrará que as reformas são compreendidas e desejadas pela população. Se o conseguir, todas as condutas antidemocráticas de intimidação, insulto, perseguição pessoal, calúnia, incumprimento dos deveres profissionais e de compromissos políticos, que mais uma vez ressurgem por estes dias de forma patente e manipulando mesmo menores de idade, cairão por terra, por muito que pretendam sofismá-lo.

Para já, que contraste entre estes comportamentos e as reclamações de ética em função de «suspeitas» nunca provadas que durante este mandato foram agitadas contra qualquer tentativa reformista …

O essencial sobre democracia (por sinal título de um pequeno livro que publiquei este ano na Imprensa Nacional) está aqui mesmo, na auto-limitação do poder político e na fidelidade aos seus compromissos, sempre dentro da legalidade, especialmente quando confrontado por meios ilegítimos. Num clima social que, desde há muito, nem sequer permite sonhar com medidas decisivas (como as que o PS tomou quando Sottomayor Cardia foi ministro da Educação), clima aliás no qual a responsabilidade socialista também é relevante, este governo não deve apenas manter as suas reformas e unir o partido para o que ainda há a fazer. Tem de, como até aqui, dar o exemplo ao fazer tudo isso, demonstrando na prática que a política e não o abstencionismo é o lugar próprio da cidadania. Para que fique claro que não é a rua e a permanente fuga para a frente que governam Portugal, mas sim aqueles que os portugueses, todos, elegem.
Carlos Leone
Membro do Clube de Reflexão Política a Linha
Membro do Clube do Chiado