O LEGADO DE ABRIL NA HISTÓRIA DE UM PORTUGAL DEMOCRÁTICO

Vasco Lourenço e Alfredo Barroso - Num jantar que contou com mais de uma centena de pessoas, Vasco Lourenço e Alfredo Barroso partiram as suas memórias e evocaram os valores de Abril e o legado da "Revolução dos Cravos" na história de um Portugal democrático.

JOSÉ LUÍS JUDAS NO JANTAR DO CLUBE A LINHA

O Clube A Linha contou com a presença de José Luís Judas onde foi especificamente abordado o processo de concepção e execução da estratégia e do projecto que conduziu à vitória do Partido Socialista nas eleições autárquicas em Cascais, com o slogan "mudança tranquila".

VÍTOR RAMALHO NO CLUBE A LINHA

Vítor Ramalho, Presidente da Federação de Setúbal do PS, recordou a matriz genética do partido Socialista, debruçando-se especificamente sobre os desafios autárquicos com que o PS se vê confrontado no Distrito de Setúbal, apresentando a estratégia política seguida nas últimas eleições autárquicas, bem como o caminho que se está a trilhar naquele distrito.

OS DESAFIOS DO CRESCIMENTO ECONÓMICO

Vieira da Silva e Pedro Marques - Cascais acolheu José António Vieira da Silva e Pedro Marques para mais um debate promovido pelo Clube A Linha, onde os convidados partilharam com o auditório, a sua visão sobre os desafios que Portugal enfrenta em matéria de crescimento económico.

OS DESAFIOS AUTÁRQUICOS DE 2013: CONTRIBUTOS PARA A ACÇÃO POLÍTICA

José Junqueiro - Perante um auditório lotado, José Junqueiro sublinhou a importância das próximas eleições autárquicas para o Partido Socialista, onde se irão sentir pela primeira vez os efeitos da limitação de mandatos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Fernando Sousa Marques: DEPOIS DAS ELEIÇÕES... O QUÊ?

O resultado das eleições legislativas de 27 de Setembro permitiu construir um conjunto de cenários muito interessantes e a merecer reflexão e debate.

Antes que isso venha, felizmente, a acontecer, incluindo a participação de todos os que lerem o que aqui fica escrito, importa avançar com algumas observações pessoais, como que a dar um pontapé de saída na discussão que se seguirá.

Em primeiro lugar há que referir que se tratou do segundo passo de um ciclo eleitoral iniciado com as europeias e que será continuado, a muito curto prazo (duas semanas), com as autárquicas e, a curto / médio prazo (pouco mais de um ano), com as presidenciais. Será o conjunto destes quatro actos eleitorais que marcará, no nosso país, o futuro político próximo que se antevê, desde já, um período de mudança geracional e de rearranjo de forças e de surgimento de outros movimentos, os mais diferentes, alguns deles que já despontaram e até já estão a participar no corrente ciclo eleitoral. Basta esta primeira observação e este primeiro tema que proponho para motivar um debate alargado e profundo, tão necessário no seio da sociedade portuguesa, que motive os mais jovens e os de mais jovem espírito a procurar novos espaços e novas soluções para os novos problemas e desafios. Económicos e sociais, educacionais e ambientais, políticos e sindicais. Mais do que nunca há que analisar o global e agir localmente mas, também, repensar o que está próximo para intervir no que parece distante.

Em segundo lugar há que salientar, em vez de qualquer vitória em especial, a estrondosa derrota eleitoral do PSD. Depois de uma minguada vitória nas europeias, que se deveu mais a deméritos alheios e ao desinteresse repetidamente manifestado pelo eleitorado (que se sente distante e indiferente e que olha para o Parlamento Europeu como se se tratasse de uma espécie de reforma dourada de agentes de segunda), esperar-se-ia (!!??) mais de um partido habituado ao poder e desejoso de o reconquistar, em sintonia, aliás, com o mais conservador, limitado e tacanho Presidente da República pós-Abril. Ao anunciar, durante a campanha eleitoral, que “tinha chegado a hora da verdade”, Manuela Ferreira Leite, sem o saber, jogou tudo e anunciou o seu próprio enterro político e passou, desde já, a palavra e o acto a toda uma geração de jotas que sentem chegada a sua hora.

Em terceiro lugar há que referir a vitória eleitoral do PS. Apenas reconhecida claramente, entre os diferentes protagonistas, diga-se, pela dirigente do PSD, num discurso sem chama de quem pretende sobreviver apenas quinze dias. Era ponto assente que a maioria absoluta não seria possível. Até o próprio Sócrates o reconhece ao chamar “extraordinária” a esta vitória. Perante a incompetência da oposição mais próxima, o eleitorado foi claro a mostrar um cartão amarelo à arrogância, mas a acender ums luz verde de oportunidade a um governo e a um Primeiro-Ministro que, pese os erros e as fragilidades, teve a coragem de enfrentar poderes corporativos instalados (desde a justiça à educação), lobbies acostumados a intervir na sombra (grupos financeiros e económicos), uma crise financeira com raízes imperiais, uma crise económica fruto da globalização selvagem e da falta de controle e de valores que se foram generalizando. O PS ganhou as eleições com maioria relativa. Alguns verão nuvens cinzentas de instabilidade nos anos próximos e, eventualmente, a necessidade de um intercalar confronto eleitoral. Outros, como eu, salientarão as virtudes de uma situação que deverá privilegiar o diálogo político e democrático, o respeito por propostas alheias e pelas diferenças, a procura de soluções para os problemas e de recusa e condenação pelas manobras que passam para criar mais problemas e conflitos para evitar as soluções.

Em quarto lugar há que falar dos que, não ganhando, cantaram vitória na noite eleitoral.

O CDS de Paulo Portas parece o mais vitorioso: recuperou o terceiro lugar no parlamento e, mais do que isso, é a única força à direita capaz de conseguir construir uma maioria com o PS. Entretanto, o PSD andará entretido a digerir os seus próprios conflitos internos e a preparar-se para um novo período oposicionista liderado por jovens ambiciosos e sedentos e apoiados por falcões ainda vivos. Mas o CDS está, também ele, marcado por um destino impiedoso: logo que o eleitorado mais conservador vir no PSD uma alternativa real, juntar-seá ao centrão cinzento e temeroso e colocará o CDS, novamente atrás do PCP e do BE. E tudo isto acompanhado por um dilema de difícil gestão: se apoiar o PS (como fez em anterior e fracassada experiência governativa) tenderá a penalizar-se, à direita, eleitoralmente; se for oposição ao PS (minturando-se com a oposição laranja) tenderá a ser parcialmente degluitdo e abafado, ao centro.

O Bloco de Esquerda aparece triunfante e contente e, também, imagine-se, arrogante. Passará a ter mais um deputado do que o grupo liderado pelo PCP o que, nunca o confessando, corresponde a um antigo objectivo há muito tempo perseguido. Conseguiu, segundo palavras do alto dirigente que mais cedo falou na noite das eleições, uma grande vitória: contribuir para retirar a maioria absoluta ao PS! Tão importante que foi colocada à cabeça de tudo o mais, até da sua própria grande subida eleitoral... Conseguiu duplicar o número de deputados como consequência dos votos recebidos de mais de meio milhão de eleitores. Mas só conseguiria ajudar o PS a ter uma maioria absoluta “à esquerda” com a ajuda do PCP, o que só parece possível em caos pontuais e meramente conjunturais (excepto no caso de aparecer uma alternativa conjunta, em Janeiro de 2011, com uma muito possível e necessária derrota do actual Presidente da República que, nesse caso, passaria à história como o primeiro Presidente, depois de Abril, que não conseguia ser eleito para um segundo mandato de mais cinco anos). O BE tem ainda, entre outros, um desafio claro pela frente: mantendo seu poder mediático e comunicacional e as suas caixas de ressonância bem afinadas nos media e em algumas elites intelectuais, alargar a sua base de apoio social e sindical.

O Partido Comunista Português (tudo muda, não é verdade?) parece não mudar. Ao proclamar, na noite eleitoral, a derrota do PS e a vitória da CDU, o seu líder foi igual a si próprio e a quem o antecedeu e, sabe-se lá, ao seu imprevisível sucessor. Mas, à esquerda do PS, o PCP é a única força global, a que tem, de facto, não apenas peso e poder político, mas também reconhecido poder autárquico e, sobretudo, poder sindical e negocial, poder mobilizador. O PCP tem ainda a virtude de, mantendo um eleitorado fiel, conseguir conquistar respeito e adeptos em franjas sociais, desencantadas com todas as outras alternativas, importantes para o seu futuro político de permanente e lento desgaste eleitoral (jovens, intelectuais, desempregados, revoltados,...).

Em quinto lugar, pela primeira vez, penso eu, uma palavra em eleições legislativas, pelas piores razões, para o que deveria estar acima de tudo isto – o Presidente da República. Com a sua falta de jeito e o seu conservadorismo foi o segundo derrotado, logo a seguir à sua colaboradora de estimação, com quem sonhou, aliás, poder vir a discutir os contornos do futuro governo. Se os eleitorados do PS, do BE e do PCP conseguirem encontrar um candidato às Presidenciais de 2011 que não assuste o centro, o actual PR antecipará, merecidamente, por cinco anos, uma reforma já anunciada.

Em sexto lugar uma palavra para os outros. Os que se organizaram para disputar eleições e que, sistematicamente, são marginalizados durante a campanha e esquecidos quando as urnas estão a fechar. Não fazem parte de sondagens à boca das urnas, muito menos de coberturas televisivas quando todos comemoram vitórias reais ou imaginárias, ou tentam disfarçar ou minorar pesadas derrotas. Pela minha parte gostava de ver alguns deles representados na Assembleia da República. Seria mais Assembleia e mais República. Era bom que aparecessem vozes a falar de esperança, a apontar dedos descomprometidos, a anunciar novos caminhos e, porventura, novas viagens. Mesmo que representem grupos e valores marginais na sociedade portuguesa era bom que conseguissem entrar no forum parlamentar e prestarem contas perante o país e os que neles votaram. Muitas vezes é na sombra que se geram grandes brilhos e no silêncio que se apuram os ouvidos para os mais belos sons.

Em sétimo lugar a abstenção. Vivendo agora num país em que cerca de 20% dos cidadãos com capacidade eleitoral não estão inscritos nos cadernos eleitorais, em que é muito bom que a abstenção seja de 50% nas eleições presidenciais e em que, em todas as outras, a abstenção oscila entre os 80% e os 90%, continuo a olhar para as abstenlões crescentes no panorama europeu como um sintoma de doença grave e que é imperioso não tornar irreversível. A principal responsabilidade está nos políticos que são eleitos pelos que votam, muitos deles que só o são, precisamente, porque a abstenção é elevada. Eles sabem disso. Por isso mesmo, nunca o dizendo, até lhes convem que muita gente fique em casa a ver tv ou a tratar das suas coisas porque, indirectamente, estão assim a trabalhar para que muitos que o não merecem sejam eleitos. Curiosidades e preços que têm de se pagar por viver em democracia... Mas voltemos aos eleitos. Quanto mais baixarem o nível da sua actividade política, mais se atolarem nos vícios dos corredores dos poderes, mais menores e mesquinhos se tornarem, mais se desacreditam e mais desacreditam a política e os que, honestamente, a servem. Mas há também que olhar para o espelho, olhar nos próprios olhos, e termos a coragem de começar por nós próprios. Estudemos, aprendamos, ouçamos, lutemos contra a ignorância e a violência, os maiores males que nos rodeiam. Em cada lugar onde estejamos, tenhamos a capacidade e, também, uma outra coragem, de lutar pelos valores da honestidade e das verdades, do respeito e da tolerância, do combate por ideais.

Por último os brancos e os nulos. Há uns tempos atrás, escritor laureado lembrou-se de afirmar as virtudes do voto em branco. Agora apareceu (veio ter comigo através do facebook) o Partido do Voto Nulo. Considero que há a mesma legitimidade em pelar nestes votos, como em A, B, ou C, ou etc, independentemente dos créditos que nos mereçam. Eu preferiria sempre que mais valia votarem em alguns dos que não são eleitos, como, por exemplo, o Movimento Esperança Portugal. Mas, à parte este comentário pessoal, se um dia acontecesse que, somados os Brancos e os Nulos, fossem maioria, talvez isso significasse que a democracia estava muito muito doente, mas que haveria uma maioria com consciência disso e, porventura, com vontade de combater a doença e construir coisas novas e melhores.

Fernando Sousa Marques

2009-09-28

In http://www.omundoaquitaoperto.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma nota sobre a vitória eleitoral.

Felizmente, o Partido Socialista venceu as eleições legislativas e tem agora a responsabilidade de formar governo.
A direita, ao contrário do que era a sua grande aposta, foi derrotada. O PSD teve um desastre total.
A ideia de "bloco central" representa hoje menos de 35% do eleitorado e provavelmente, face à polarização eleitoral agora existente, deixou de ter qualquer viabilidade.
Hoje a batalha que importa é conseguir progressos nas próximas eleições autárquicas para bem dos cidadãos dos vários concelhos, nomeadamente de Cascais.
E talvez seja prudente que não 'embandeiremos' demasiado. É necessário trabalhar com seriedade, reforçar a unidade do Partido e recuperar a confiança do mais de meio milhão de eleitores que deixaram de acreditar no PS nestes últimos quatro anos. Tenhamos bem presente que se continuassemos por este mesmo caminho a direita ganharia as próximas eleições e o PS correria o risco de ficar com um score eleitoral idêntico ao do B.E.
Tenhamos pois muita serenidade e saibamos fazer frente a todas as nossas próprias tentações sectárias
Vasco Graça

domingo, 27 de setembro de 2009

O «dogmatismo reforçado» e o futuro

A expressão «dogmatismo reforçado» merece ser lembrada muito por causa da admiração que o seu autor suscita em quem é menos fiel ao seu método crítico. O autor é Popper, que criticava o dogmatismo reforçado em termos (cito de memória) como «reforço de um dogma quando este é invalidado». Ou seja: se me desmentem, estão apenas a provar que a minha posição é justa e que os outros são injustos. Quando a Direita mais conservadora gosta muito de citar Popper, justifica-se prestar atenção e ver se nos próximos dias ou semanas, todos aqueles que jorraram pesporrência durante anos sobre Sócrates e os socialistas, todos os que deram informações falsas até às eleições, como o «caso Lello» (Público), o «caso Freeport» (Paulo Rangel a encerrar campanha PSD) ou o «caso avaliação do juiz do processo Casa Pia» (SIC), enfim todos aqueles que garantiam que «o povo» estava farto «disto» e da «arrogância*», convém ver, dizia, se vão agora reconhecer que afinal, não só não estamos fartos do governo como queremos que os últimos 4 anos não sejam desbaratados, e que derrotados foram sim os dogmas de quem julga que basta insultar à custa de disparates (por exemplo. um caso, aqui, onde a ignorância de académicos da escola-João Carlos Espada facilmente foi desmontada). Como se viu nas «vitórias» de todos os partidos derrotados na noite eleitoral, nada disso vai acontecer. O dogmatismo reforçado é especialidade de quem não é capaz de melhor. E o pior é isso mesmo.
O Primeiro Ministro fez exemplarmente na sua declaração ao confrontar todos os restantes partidos e o Presidente com as suas responsabilidades. Ainda não foi desta vez que o PS foi buscar votos à abstenção, os únicos que podiam manter a maioria parlamentar. Nem por isso esta é menos «a vitória do povo», como bem disse o Secretário-Geral.

* Nada como a humildade do BE, na noite em que ficou atrás do PP, ao não saudar o vencedor das eleições...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fernando Montenegro: A Importância da Diplomacia Económica no Contexto da Política Externa Portuguesa

Muito se tem falado sobre diplomacia económica no âmbito das eleições legislativas.

Também nesta matéria o programa do eleitoral do Partido Socialista é claro. Nele se confirmar a preocupação política dada a esta matéria, sublinhando-se a necessidade do reforço dos instrumentos para a internacionalização e uma coordenação mais acentuada de tais instrumentos.

Igualmente se reitera a importância da captação de investimento externo, que deve continuar a ser uma prioridade nacional, bem como um novo olhar às parcerias com o “empresariado da diáspora portuguesa”.

É patente neste documento a afirmação de que “o novo impulso a dar à internacionalização da economia portuguesa deve assumir-se como a prioridade da acção externa do Estado português”.

Contudo, importa ter presente o que pressupõe a diplomacia económica para um país como Portugal, na actual conjuntura internacional.

Sem prejuízo da estabilidade verificada ao nível dos eixos de intervenção e das prioridades estratégicas da política externa nacional, as profundas transformações ocorridas no sistema internacional reforçaram a urgência da reorganização do nosso modo de implantação no exterior.

É neste contexto internacional, em que os Estados assumem um papel mais interventivo, que a diplomacia económica, enquanto instrumentos impar na acção externa do Estado, ganha acrescida relevância, assumindo um papel fundamental na internacionalização da economia portuguesa e na captação de investimento directo estrangeiro.

O modo como os Estados passaram a perspectivar a diplomacia económica, teve como consequência lógica a mudança de paradigma em que assentavam, desde logo, as suas máquinas diplomáticas. Assim, assiste-se à mudança do perfil do diplomata, adaptando-o aos novos “tempos”. As suas tarefas já não se circunscrevem à participação em negociações em organismos internacionais, passando as preocupações económicas a fazer parte integrante da diplomacia moderna.

Surgem assim novas competências para a actividade diplomática que se traduz, nomeadamente: na alteração do paradigma comunicacional, tornando a diplomacia mais “transparente”, necessidade de uma maior coordenação inter-ministerial, bem como um maior esforço de articulação entre actores muito distintos; uma maior capacidade de englobar “visões” de actores não estatais na política externa; e uma maior especialização temática, sobretudo em áreas económicas.

A lógica em que assenta o paradigma diplomático português, tal como em muitos outros países, consolidado em torno do Ministério do Negócio Estrangeiro encontra-se, em certa medida desajustado, uma vez que o Estado deixou de ser “o” actor na cena internacional, para ser mais um, embora mantendo um estatuto privilegiado. Daí a necessidade de repensar e flexibilizar as das estruturas estatais.

Mais do que nunca, Portugal deve repensar a sua rede diplomática e consular, e proceder, sempre que necessário e de uma forma ágil, ao respectivos ajustamentos garantindo uma efectiva adequação aos novos desafios, realidades e objectivos da diplomacia, em que os Estados são cada vez mais colocados em posições negociais face a outros parceiros. No entanto, o esforço exigido ao corpo diplomático deverá ser ombreado com o dos restantes actores e agentes económicos, bem como o de todos restantes sectores do Estado neste domínio.

Em Portugal, o modelo de diplomacia económica é recente, tendo apenas sido formalizado em 2003, datando a sua última alteração de 2006, a qual traduz a opção de neste domínio consagrar uma dupla tutela partilhada entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Economia e da Inovação.

Com efeito, é nos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Economia e Inovação que a diplomacia económica portuguesa é essencialmente gizada, apesar de se poder constatar que a diplomacia nacional continua fragmentada sectorialmente na sua intervenção.

No entanto, o presente modelo tem vindo a reforçar a apoio à internacionalização das empresas portuguesas, valorizando a vertente económica no funcionamento das embaixadas e consulados, tendo no âmbito do Ministério dos Negócios Estrangeiros sido criada a Direcção-Geral dos Assuntos Técnicos e Económicos que marca uma clara viragem na sua concepção “estato-centrica”, traduzindo assim a preocupação política com a dimensão económica da diplomacia.

Até hoje pouco explorada de forma integrada, afigura-se que a componente regional poderia ser desenvolvida no quadro da diplomacia económica, nomeadamente através da maior ligação às Câmaras de Comércio.

Sem prejuízo de a actual arquitectura institucional continuar a apresentar lacunas que se repercutem necessariamente na acção externa do Estado português, os sinais de definição clara de competências e de coordenação permitem-nos, neste domínio, antever uma inversão na tendência de criação de um número infindável de instituições com actividades complementares.

Porém, o modelo em apreço apresenta desde já algumas lacunas, em particular aos nível: da intersecção entre o domínio de assuntos políticos e da análise económica para informar decisões e orientações de política externa; do controle da execução dos planos de negócios projectados; da dinâmica de avaliação nos serviços técnicos e políticos dos ministérios; do enraizamento de actividades e perfis económicos na carreira diplomática; da formação económica no seio da carreira diplomática; do perfil profissional do diplomata não estar ligado a áreas do conhecimento económico; e do estatuto de carreira de adido económico/ comercial.

Estas lacunas têm necessariamente repercussões ao nível da implementação do modelo de diplomacia gizado, em especial na sua eficiência e eficácia.

O reconhecimento da importância do papel que a diplomacia económica desempenha enquanto instrumento de política externa é hoje consensual no espectro político e académico nacional. Contudo, a questão que se coloca é até onde se poderá alavancar este instrumento na acção externa dos Estados e quais serão consequentes implicações na visão de uma nova diplomacia do século XXI, tendo em especial atenção que a mudança de paradigma está fortemente condicionada à visão do próprio corpo diplomático.

Fernando Montenegro
Auditor de Política Externa Nacional

terça-feira, 22 de setembro de 2009

As duas campanhas

A demissão, ou recuo para a retaguarda, de Fernando Lima marca um ponto de viragem na campanha. Não na legislativa, na qual essa viragem já ocorrera (na semana passada, com a sondagens a darem notícia da descolagem do PS face ao PSD), mas nas próximas presidenciais. A partir de agora, se se confirmar a vitória provável do PS, ao contrário do que seria lógico o Presidente será o elo fraco num cenário de governo em minoria. Perdeu e nem o sacrifício do mensageiro lhe salva a face. Em 2011não se recandidata, resta saber o motivo invocado. Presidente de um só mandato seria coisa boa, pela não perpetuação no poder; mas a causa dessa originalidade é péssima. Tornado elemento de irregular funcionamento das instituições, o PR vai fazer falta num contexto de crise e governo minoritário. Nada a celebrar, portanto, a não ser o mal menor da derrota da «política de verdade»...
Tudo está muito mal quando a voz da razão é Garcia Pereira, observando que quem se devia demitir é o PR. O desnorte dos irresponsáveis que imitam a adminstração Bush, de Pacheco Pereira a José Manuel Fernandes não é consolo nem garantia nenhuma. Nada aponta para o fim destes anos de calúnias, perseguições pessoais e irresponsabilidade a que o PS tem resistido. Como seguir em frente é o problema, cada vez mais.
Carlos Leone

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Artigo da Linha publicado no Blog "Olhar Direito": Votar no PS, no Governo ou em Sócrates?

Votar no PS, no Governo ou em Sócrates?

Estas eleições legislativas extremam questões teóricas e práticas que não são novas na politica nacional mas que adquirem maior visibilidade desde o fim do guterrismo. As práticas saltam a vista: com a gradual mudança que José Sócrates tem operado no PS, uma mudança geracional com consequências ideológicas (iniciada aliás no segundo governo Guterres e prosseguida na oposição por Ferro), associada ao estiolar do PSD em vários partidos que se confrontam já abertamente (vide a perseguição de Ferreira Leite a Passos Coelho), a bipolarização à portuguesa não é tanto entre Esquerda e Direita como entre clubes: os ppd's e os ps's, os da oposição e os do governo, os ferreiristas(?) e os socratistas. É um tanto desolador, e pode potenciar a abstenção ou o voto irracional, mas o facto é que este estado de coisas não é novo e tem a sua origem na presidencialização da figura do Primeiro-Ministro (patente desde que Cavaco ganhou a primeira maioria absoluta), processo potenciado pela exploração mediática, um mercado em permanente radicalização.

Votamos num partido (e nas suas propostas)? Num governo (e seu registo)? Num candidato (na sua personalidade)? Em tudo, mais ou menos confundido? A emocionalização da política faz-se desta confusão do que deveria ser simples. As escolhas entre Esquerda e Direita devem ser mais ou menos claras (e, actualmente, Portugal tem uma das maiores distinções de sempre entre os dois campos), mas não parecem motivar a opção de voto. O que conta é o clubismo: em vez de eleger deputados de um partido, em função da adesão a um programa, discute-se quem fez isto ou aquilo no Verão Quente de 1975; em vez de avaliar um governo pela sua capacidade de executar o seu programa, há «os casos» em série, todos a apagarem-se uns aos outros (logo com este governo, o primeiro a adoptar sem alterações o programa eleitoral como programa de governo...); em vez de apreciar uma personalidade política pelo que ela tem de político (as alterações que conduziu na sua estrutura partidária como teste para o que poderia fazer no Governo do país), fica-se a conhecer as casas, as piadas de que se ri...

No entanto, poucas eleições podem ser mais claras do que estas:

- a Direita volta com os mesmos candidatos e as mesmas políticas que há 5 anos atrás

- e já são os mesmos há mais de 20 anos... (e nem vale a pena falar do soba da Madeira!); - a Esquerda que se reclama «única» (talvez por isso nunca se entendam, o BE e o PCP), permanece onde estava há 10 anos, pronta a minar um governo minoritário do PS

- porque para a táctica do «quanto pior, melhor», velha de mais de 30 anos, isso é o ideal;

- o PS aposta nas armas que lhe deram a sua primeira maioria absoluta, indiferente ao facto de o mediatismo, a personalização, a presidencialização da figura do PM (com fífias como a mandatária Patrocínio e tudo), serem hoje métodos bem duvidosos de contrariar a abstenção que é a maior ameaça à governabilidade de qualquer governo.

Tal como nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, o verdadeiro adversário de um partido que ambiciona governar é a abstenção. De tal modo que foi por esta que o PS perdeu essas eleições e foi a vitória que o PSD nelas obteve imediatamente revelou a sua incapacidade política. Isto porque governar significa exercer o poder para causar ou controlar mudanças, e isos implica uma estratégia.

Debaixo do rebuliço mediático e das confrontações partidárias, por trás de cálculos sobe eleições daqui a 2 anos (como se alguém soubesse quem lidera os partidos de governo e da oposição então e quem será o próximo Presidente para prever alianças parlamentares viáveis em 2011...), qual o espaço para a política entendida como estratégia de mudança de Portugal?Apesar das reservas já referidas à estratégia eleitoral seguida pelo PS, de presidencialização do PM, de personalização em Sócrates, de formatação mediática de tipo publicitário da sua mensagem, o facto é que existe um registo de opções e uma afirmação programática clara para a sua prossecução.

Apoiado na contenção orçamental de 2005-8, pode apostar, como já faz, no investimento público para contrariar a crise actual. Há outra proposta mais viável?

Apoiado na reforma da Segurança Social, contra a ideia da sua condenação, propalada no governo PSD/CDS, pode corresponder aos efeitos imediatos da crise. Poderia ser outra a opção de um partido de Esquerda?Modernizando a economia, Portugal é hoje um dos países mais avançados do mundo no campo das energias renováveis, a principal saída da dependência energética do exterior e do défice externo. Daí a recusa em qualquer opção pela energia nuclear no futuro. Há racionalidade económica e ecológica mais conseguida?

Na formação de recursos humanos, os professores têm hoje a colocação a tempo e horas (embora, talvez, haja quem tenha saudades da Compta...), por 4 anos (velha reclamação atendida por este governo) e melhores instalações; os alunos, um ensino mais sistematicamente avaliado, um programa internacionalmente reconhecido de acesso a tecnologias de informação e uma escola que apoia vida familiar (nos horários e na diversidade do ensino, desde a música às ao Inglês); a população adulta em geral, programas de regresso ao ensino, de ensino profissional e de reconhecimento de competências adquiridas profissionalmente. Apesar de todas as pressões sofridas, nada foi abandonado e tudo será desenvolvido. Quem apresenta uma estratégia mais consistente?Para não prosseguir indefinidamente: nas questões de costumes, descriminalizou-se o IVG de modo a deixar a reacção sem argumentos (graças a um referendo que o PCP rejeitava...); alterou-se a lei do divórcio; compromete-se agora o PS a rever a questão do casamento homossexual na próxima legislatura. Quem quer discutir coerência?Enfim, fácil é ficar preso na vida política feita de casos e não votar, dizendo que são todos iguais. Mas desde a extrema Direita à extrema Esquerda as diferenças são hoje bem nítidas. A do PS faz-se pela política seguida e pelo compromisso com o futuro. Quem quiser outro Governo que o encontre. Boa sorte.

Campanha de casos, fim de campanha?

Ao contrário do que possa parecer, as notícias sobre as campanhas internas do PSD e sobre as «fugas de informação» da Presidência da República não são boas para o PS. No dia em que as sondagens revelam a eficácia da estratégia seguida, com o PS a descolar do PSD depois dos debates televisivos, tudo isto é dispersivo. Nada que envolva António Preto desqualifica mais o PSD do que as internvações de Jardim ou Ferreira Leite; nada que se diga sobre a Presidência pode ser mais claro do que as intervenções públicas de Cavaco Silva. Quando as sondagens indicam que um terço dos portugueses hesitam quanto ao voto, tudo isso desmobiliza e afasta. Bem anda o Secretário-Geral ao não perder tempo com as «suspeitas» desse ainda director do Público que, após anos que o colocam abaixo de qualquer suspeita*, será em breve posto em sossego, prémio imerecido pelos serviços prestados à SONAE. Resta saber se o Provedor dos Leitores se continua a interessar por este caso. Mas importa mais ao PS a política, aquilo sobre o que vão votar os portugueses.
* Sobre estas peripécias, ainda hoje houve mais uma: http://o-amigodopovo.blogspot.com/2009/09/o-presidente-que-quis-concorrer-as.html
Carlos Leone

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

De que vale o sentido do voto para Louçã?

As últimas semanas têm proporcionado a Francisco Louçã um verdadeiro périplo pelo país, em busca de pequenos casos, de grandes notícias, de pequenas falhas ou grandes escândalos. Louçã tem calcorreado, quase a palmo, concelhos e distritos que não lhe têm dado, até aqui, a confiança do seu voto.

E, na mais habilidosa estratégia de cangalheiro, adoptou um discurso miserabilista no género, derrotista na projecção futura do país, pessimista quanto às políticas sociais e vazio no conteúdo. É, nitidamente, a estratégia do cangalheiro, que anda por aí a exacerbar a desgraça alheia, a dar palco à miséria sem, no entanto, levar consigo um programa que transpire esperança e optimismo.

E porquê? Por uma razão muito simples. Se o fizer deita por água a filosofia básica do seu partido. Contestar, criticar, demolir, mas nunca, nem que a isso fosse obrigado, construir ou apresentar propostas de solução. E isto explica a vontade sórdida, não admitida pelo BE, mas sentida por todos, em proporcionar a vitória de Ferreira Leite e consequentemente a derrota de José Sócrates. Só assim, Louçã fará o pleno.

Garante um crescimento do BE conseguido pela transferência de votos dos descontentes, justificado pelo alegado “falhanço” do Governo PS. E assim, sentir-se-á ilibado de governar e simultaneamente, agraciado por ter sido o líder político a conseguir o maior crescimento nestas eleições.

Mas, e Louçã sabe disso, se conseguir um aumento significativo de votos no BE, seja qual for o status quo parlamentar, terá que alimentar o capital de expectativa, de todos aqueles que nele confiaram. Ou seja, quem votar BE por descontentamento vai exigir dele soluções. Vai pedir ao Bloco, e a Louçã, que se responsabilize por esse depósito de confiança.

Todavia, essa não é a vocação deste pequeno partido, com vocação para ser pequeno e sem vontade de crescer. Na verdade a irreverência é, por definição, juvenil enquanto a responsabilidade é tradicionalmente imputada aos adultos. E é por isso que o Bloco não pode crescer. O Bloco não é, nem pretende ser um partido responsável. Se pretendesse, mesmo que evitasse coligações, estaria munido de propostas governativas viáveis.

O BE tem um grande problema, que o acompanha desde o início e que o fará extinguir a prazo, que é o facto de ser uma verdadeira manta de partidos retalhados. E, se esses retalhos por algum acaso pudessem, algum dia, ter sido um todo comum, essa esperança morreu quando o BE começou a criar simpatias naqueles que repudiaram a extrema-esquerda (e bem) mas não perceberam que o Bloco era não mais do que uma recauchutagem dessas esquerdas não democráticas. Hoje, embora não seja um mass party, o BE começa a ser um catch-all-party a caminho da ingovernabilidade interna.

Dará, certamente um brilhante caso de estudo. Pena é que as cobaias sejam o Portugal real.

Rui Alexandre

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Riscos

O Porfírio tem mais em que pensar, mas os Homens da Luta, que aqui na Linha estiveram em destaque durante tanto tempo, não fazem humor como os Gato Fedorento. Fazem o que faz «Borat», são personagens a tempo inteiro. Não é piadas e perguntas a armar em esperto, como o «esmiúça» (reproduzindo calúnias como se tivesse gracinha, o que ao Porfírio não incomodou); é interpretação de um papel. E, mesmo para quem cuida do respeito pela lei (aliás, os Homens da Luta não resistiram à autoridade), são bem menos nocivos que Louçã ou Ferreira Leite.
Mas deve ficar a nota de alerta: o risco de tudo isto criar cada vez mais uma campanha de casos, patrioteiros ou cómicos (pouca diferença faz), em vez de uma campanha política, ideológica e programática, é manifestamente real. E cresce. Como reacções destas evidenciam.
Carlos Leone
PS - Para resposta a riscos como se exige, ainda que dependente da Justiça portuguesa, ver aqui o caso autárquico de Artur Penedos.

A Minha Leitura (José Niza) sobre MANUELA M.GUEDES

O que a imprensa escrita e as TV's não contam...

TVI - A Minha Leitura (José Niza)

Fui director de programas da RTP e depois seu administrador. E garanto-vos que, se alguma vez algum apresentador ou jornalista desse uma entrevista a chamar-me "estúpido", a primeira coisa que aconteceria seria o cancelamento imediato do seu programa, independentemente de haver ou não eleições em curso.

Por isso me parece incompreensível que, embora rios de tinta já se tenham escrito sobre o cancelamento do jornal nacional que Manuela Moura Guedes (MMG) apresentava na TVI, todos os analistas e comentadores tenham ignorado a explosiva e provocatória entrevista que MMG deu ao Diário de Notícias dias antes de a administração da TVI lhe ter acabado com o programa.

Em meu entender essa entrevista, realizada com antecedência para ser publicada no dia do regresso de MMG com o seu jornal nacional, foi a gota de água que precipitou a decisão da TVI. É que, o seu conteúdo, de tão explosivo e provocatório que era, começou a ser divulgado dias antes. E se chegou ao meu conhecimento, mais cedo terá chegado à administração da TVI.

Nessa entrevista MMG chama "estúpidos" aos seus superiores. Aliás, as palavras "estúpidos" e "estupidez" aparecem várias vezes sempre que MMG se refere à administração.

É um documento que merece ser analisado, não somente do ângulo jornalístico, mas sobretudo do ponto de vista comportamental. É uma entrevista de uma pessoa claramente perturbada, convicta de que é a maior ("Eu sou a Manuela Moura Guedes"!) e que se sente perseguida por toda a gente. (Em psiquiatria esse tipo de fenómenos são conhecidos por "ideias delirantes", de grandeza ou de perseguição).

MMG diz-se perseguida pela administração da TVI; afirma que os accionistas da PRISA são "ignorantes"; considera-se "um alvo a abater"; acusa José Alberto de Carvalho, José Rodrigues dos Santos e Judite de Sousa de fazerem "fretes ao governo" e de serem "cobardes"; acusa o Sindicato dos Jornalistas de pessoas que "nunca fizeram a ponta de um corno na vida"; diz que o programa da RTP 2, Clube de Jornalistas, é uma "porcaria"; provoca a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social); arrasa Miguel Sousa Tavares e Pacheco Pereira, etc.

E quando o entrevistador lhe pergunta se um pivô de telejornal não deve ser "imparcial", "equidistante", "ponderado", ela responde: "Então metam lá uma boneca insuflável"!

Como é que a uma pessoa que assim "pensa" e assim se comporta, pode ser dado tempo de antena em qualquer televisão minimamente responsável?

Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer - e como sublinhou Mário Soares - esta questão não tem nada a ver com liberdade de imprensa ou com a falta dela. Trata-se, simplesmente, de um acto e de uma imperativa decisão administrativa, e de bom senso democrático.

Como é que alguém, ou algum programa, a coberto da liberdade de imprensa, pode impunemente acusar, sem provas, pessoas inocentes? É que a liberdade de imprensa não é um valor absoluto, tem os seus limites, implica também responsabilidades. E quando se pisa esse risco, está tudo caldeirado. Há, no entanto, uma coisa que falta: uma explicação totalmente clara e convincente por parte da administração da TVI, que ainda não foi dada.

Vale também a pena considerar os posicionamentos político-partidários de MMG e do seu marido.

J. E. Moniz tem, desde Mário Soares, um ódio visceral ao PS. Sei do que falo. MMG foi deputada do CDS na AR.Até aqui, nada de especialmente especial.

O que já não está bem - e é criminoso - é que ambos se sirvam de um telejornal para impunemente acusarem pessoas inocentes, sem quaisquer provas, instilando insinuações e induzindo suspeições.

Ainda mais reles é o miserável aproveitamento partidário que, a começar no PSD e em M. F. Leite, e a acabar em Louçã e no BE, está a ser feito. Estes líderes políticos, tal como Paulo Portas e Jerónimo de Sousa, sabem muito bem, que nem Sócrates nem o governo tiveram qualquer influência no caso TVI. Eles sabem isto. Mas Salazar dizia: "O que parece, é"!

E eles aprenderam.

- 1984. Eu era, então, administrador da RTP. Um dia a minha secretária disse-me que uma das apresentadoras tinha urgência em falar comigo: - "Venho pedir-lhe se me deixa ir para a informação, quero ser jornalista"! Perguntei-lhe se tinha algum curso de jornalismo. Não tinha. Perguntei-lhe se, ao menos, tinha alguma experiência jornalística, num jornal, numa rádio... Não tinha. "O que eu quero é ser jornalista"! Percebi que estava perante uma pessoa tão determinada quanto ignorante. E disse-lhe: "Vá falar com o director de informação; se ele a aceitar, eu passo-lhe a guia de marcha e deixo-a ir". A magricelas conseguiu. Dias depois, na primeira entrevista que fez - no caso, ao presidente do Sporting, João Rocha - a peixeirada foi tão grande que ficou de castigo e sem microfone uma data de tempo.

P.S.
A jovem apresentadora chamava-se Manuela Moura Guedes.
E se eu soubesse o que sei hoje...

Ribatejo - Portugal

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Espantos

Não percebo o espanto com o grau de demagogia das declarações de Pacheco Pereira a respeito do TGV. Quem tem ele apoiado e elogiado na vida pública e na política interna (e externa, como apoiante de McCain, o ano passado)? Julgava alguém que a sua «previsão» de esta vir a ser uma das campanhas mais violentas de sempre era um lamento e não um anúncio?

Já o arrastar do assunto TGV/Espanha é um erro, que indicia lição não aprendida das Europeias. Quem quiser perceber o oportunismo do PSD sobre o TGV ou a hipocrisia pessoal da ex-administradora do Santander já percebeu, não agora mas há muito. Ou Sócrates, no debate, tinha feito uma defesa da honra em estilo parlamentar (o que poderia vitimizar «a pobre senhora», ainda bem que não seguiu essa via) ou respondia depois. Mas ao fim de quase uma semana, continuar à volta disto é dar a agenda ao PSD, deixando criar a ilusão que o PSD tem ideias e que são elas a determinar a campanha. É repetir a deriva de Vital Moreira há meses, quando anunciou uma agenda e acabou a rebaixar-se a nível dos BPN's deste mundo e da campanha trauliteira de Paulo Rangel. Marcar a agenda, e no que realmente importa aos eleitores (desemprego, segurança social, saúde), é o que pode convencer indecisos (sobretudo entre os que hesitam em votar de todo) e dar a vitória ao PS.

Sobre isto, outra coisa a pensar seria a comunicação. Personalizar parece opção duvidosa junto dos indecisos. (Desabafo melancólico de quem registou os gritos por Sócrates e não pelo PS na última Convenção.) E campanhas publicitárias como a das criancinhas a festejar por receberem «o cheque» (dentário) custam a engolir, por muito boas e eficazes que sejam as políticas públicas.
Carlos Leone

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Manuel Alegre disponível para participar na campanha do PS ao lado de Sócrates

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre afirmou hoje à agência Lusa que está disponível para participar ao lado do secretário-geral do PS, José Sócrates, na campanha das eleições legislativas.
"Se acharem que posso ser útil, estou disponível para dar um sinal. Se for preciso fazer alguma coisa com José Sócrates, fá-lo-ei", declarou Manuel Alegre.

Manuel Alegre fez questão de sublinhar que, depois de ter estado doente, se encontra agora em recuperação e que não fará qualquer tipo de imposições sobre com quem aceita participar em acções de campanha pelo PS.

"Se participar na campanha, vou fazê-lo pelo PS e não pelos meus amigos. Não vou fazer campanha como se fosse candidato a deputado pelo PS, mas estou disponível para dar alguns sinais", frisou o ex-candidato presidencial, que abandonará o seu lugar de deputado socialista na próxima legislatura.

Fonte da direcção do PS disse à agência Lusa que, até ao momento, ainda não foi feito qualquer convite formal a Manuel Alegre para participar numa acção de campanha em concreto.

No entanto, é provável que o ex-vice-presidente da Assembleia da República grave nos próximos dias um depoimento para passar num tempo de antena do PS e, por outro lado, que seja um dos oradores do comício de Coimbra dos socialistas, sábado, dia 19.

No círculo eleitoral de Coimbra, o PS tem como cabeça-de-lista a ministra da Saúde, Ana Jorge, com quem Alegre tem boas relações políticas.

Ao longo de várias legislaturas, Manuel Alegre foi cabeça-de-lista pelo círculo de Coimbra e é também militante socialista por esta federação.

Em relação à actual situação política, a menos de duas semanas das eleições, Manuel Alegre apenas afirmou que "o PS está a travar um combate muito difícil".

"Como é óbvio, entre o PS e o PSD estou totalmente com o PS", afirmou.

Jornal de Negócios com Lusa in http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=386533
14.09.09

domingo, 13 de setembro de 2009

Concurso “Cascais com vista para o Mar” distingue premiados

O nosso querido amigo e membro-fundador do Clube A Linha, Pedro Canelas, foi distinguido com o 3.º lugar no concurso de fotografia “Cascais com vista para o Mar”, com a fotografia "Drop".

O concurso, organizado pela Cascais Atlântico, contou com a colaboração da Quebramar, da Sanest e do Olhares.com.

O objectivo desta iniciativa foi mostrar e promover o Litoral do Concelho de Cascais, e como tal, os participantes centraram os seus trabalhos fotográficos em aspectos associados directamente a Cascais e ao seu litoral, cativando o olhar através de imagens ligadas a características naturais ou humanas (Turismo, Património, Desporto, Tradições, etc.).

Das obras levadas a concurso foram destacadas 12 fotografias finalistas, que estiveram expostas de 26 a 29 de Agosto, na tenda do Troféu Quebramar-Chrysler. Durante este evento os visitantes puderam adquirir as fotografias e desta forma ajudar a CERCICA Cascais, uma vez que o montante recolhido com a venda das obras reverteu para esta instituição de solidariedade.

Grande Foto Pedro...


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mónica Cunha: Soltem a Esquerda

A Convenção Nacional do PS realizada ontem (6 de Setembro) no Coliseu dos Recreios foi muito importante para mobilizar todos os socialistas para os grandes combates políticos que estão aí. É fundamental recentrar os esforços dos socialistas no sentido de conquistar o eleitorado no próximo dia 27 de Setembro.

José Sócrates, apesar de constantemente atacado, como sublinhou Mário Soares numa recente entrevista ao jornal “i”, prova, uma vez mais, que é um político forte e determinado em vencer, com base num Programa eleitoral consistente assente numa política de responsabilidade e proximidade.

No entanto, considero que tendo em conta a conjuntura actual, a vitória do PS nas legislativas só poderá ser uma realidade se nós socialistas ultrapassarmos os nossos próprios preconceitos e promovermos uma aliança à esquerda, que defenda o voto útil no PS e impeça a direita conservadora de Manuela Ferreira Leite de chegar ao poder. A união das esquerdas é uma necessidade que deve partir da iniciativa socialista, por isso, soltem a esquerda!

E já agora, aproveite-se este momento político para definir e lançar rapidamente o candidato presidencial da esquerda para disputar as próximas eleições presidenciais contra Cavaco Silva, e há tão bons candidatos socialistas, como António Guterres, para referir apenas o melhor.

Paço de Arcos, 7 de Setembro de 2009

Mónica Cunha
Secção do PS de Oeiras

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O “Fuck them" e o paradoxo dos bons exemplos de democracia que Ferreira Leite elogia...

Visita à Madeira
Jardim insulta os “medíocres” que se preocupam por Ferreira Leite ter usado carro do Estado em campanha

07.09.2009 - 21h04

Alberto João Jardim insultou hoje “os medíocres que se preocupam” com o facto de Manuel Ferreira Leite ter usado um carro do Governo Regional da Madeira, pertença do Estado, na visita que realizou à madeira no âmbito da sua campanha eleitoral para as eleições legislativas.

Questionado sobre o assunto, o presidente do Governo Regional começou por afirmar: “Só os medíocres é que estão preocupados com essa história.” Depois, face à insistência dos jornalistas acrescentou: “Fuck them’ [eles que se fodam].

"Manuela Ferreira leite usou um carro do Governo Regional na deslocação que fez do centro do Funchal para a Quinta da Vigia, sede do executivo regional, dali para um almoço de campanha com candidatos e dirigentes sociais-democratas madeirenses e, segundo a Lusa, também na viagem do Funchal para o aeroporto. Já durante viagem ao concelho da Ribeira Brava, para assistir à cerimónia de homenagem ao mais antigo autarca do país, António Ramos, Ferreira Leite deslocou-se numa viatura particular.

in
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1399548&idCanal=12

Blog Margem de Erro: Legislativas. Aximage, 1-4 Setembro, N=750, Tel.

Resultados tal como apresentados aqui:
PS: 34,5%
PSD: 28,9%
BE: 10,4%
CDS-PP: 8,1%
CDU: 7,8%
"Indecisos": 6%

A soma destes valores corresponde a 95,7%. Os 4,3% que faltam devem corresponder a outros partidos, brancos e nulos. A notícia é omissa sobre qual a percentagem entre os 750 que afirmou que não iria votar. Mas é possível, e tem sido hábito, que a edição em papel do CM traga informação mais completa.

Redistribuindo proporcionalmente os indecisos pelas diferentes opções, ficamos com:
PS: 36,7%
PSD: 30,7%
BE: 11,1%
CDS-PP: 8,6%
CDU: 8,3%O
BN:4,6%
Post publicado in http://margensdeerro.blogspot.com/ 07.09.09

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

De regresso... sem nunca ter partido!


Mas vem ai mais.....

Pensei não escrever mais nada até as eleições, mas não consigo ficar sossegado, guardando para mim aquilo que penso e sinto, estou cada vez mais revoltado(oxalá assim estivessemos todos).

A alteração na TVI, canal até há tempos atrás, comandado pela batuta da maestra Dra. Manuela Moura Guedes, mentora dos espetáculos degradantes a que todos temos assistido (um dia pode ser que alguem se lembre de a investigar a ela também, e não é necessário que seja uma jornalista), dito de “jornalismo”, veio criar mais um romance de verão, com cheirinho a eleições aqui bem perto.

Não fiquei admirado que o PSD e o CDS, descobrissem logo o culpado pelos pobres coitados dos jornalistas, terem-se demitido, e que tudo, nas palavras destes dois baluartes da democracia e da liberdade, estes dois verdadeiros fazedores de democracia, como se pode constatar até pelos mais distraidos, na singela opinião deles uma verdadeira afronta ao 25 de Abril, (certo estou de todos os anos ver o Dr. Aguiar-Branco, na ilha da Madeira, com o seu amigo Dr.Alberto, de braço dado e de cravo ao peito).

Ser inteligente é um dom, não se pode pedir mais, e alguns sujeitos da praça politica necessitam que se lhes explique , mas é só uma questão de bom senso, senão,ora vejamos...

1º - Quem seria de imediato apontado por fazer pressões para acabar com o “fetiche” da Dra. Manuela Moura Guedes?
2º - Quem tem mais a perder ?
3º - A quem interessa este tipo de jogadas de bastidor?
4º Será que ia sair mais algum “coelho da cartola” do BPN?(já começam a faltar poucos)

E mais aviso, seja os ditos de esquerda (pois tenho dúvidas que o sejam) ou os de direita (estremista ou não), vão tentar tudo por tudo para colocar o Partido Socialista (este sim, presente em todos momentos cruciáis dos últimos 35 anos, do 25 de abril, ao 24 de Novembro, à entrada para a CEE, e até para colocar o déficit no valor mais baixo de todos os tempos, em fins de 2007, sem recorrer à venda do património do estado(e outros truques) ao desbarato para intrujar os Portugueses mascarando o déficit, que mesmo assim por pouco que não chegava aos 7%) a arcar com todos os males do mundo, inventando tudo do mais sórdido e inanarrável .

Acredito que piores dias virão, e se não nos juntarmos, mesmo nas nossas diferenças enquanto socialistas, penso mesmo que a República (os de “bragança”já andam a aproveitar o nevoeiro sebastiano) possa estar ameaçada, (e não contem com este Prof. Cavaco Silva para a defender) e com ela a Liberdade e a Democracia.

Marco António da Raquel
Membro da Concelhia do Partido Socialista de Salvaterra da Magos
Membro da Comissão Nacional do Partido Socialista
03.09.09

sábado, 5 de setembro de 2009

Não há mesmo paciência para aguentar tanto disparate

Os últimos dias têm sido pródigos em notícias, veiculadas nos mais variados meios de comunicação social, com o objectivo de manchar a imagem do Governo e do Primeiro-Ministro, do PS e do seu Secretário-Geral.

Tudo se tem dito, sem quaisquer escrúpulos, sem qualquer bom senso, acerca do cancelamento daquele serviço (de favores) informativo desenvolvido na TVI.

O Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do PS diversas vezes se insurgiu contra o tipo de serviço público prestado por aquela televisão. Porém, os partidos da oposição ao Governo, transformando-se numa coligação absurda BE/PCP-PEV/PSD/CDS, tem sugerido, de forma tão ingénua quanto infantil, que esta demissão fora forçada pelo Governo ou pelo PS, ou mesmo pelo Eng. Sócrates em pessoa.

Acreditando que foi ingenuidade, naturalmente que só um nível muito incontrolável poderia levar esta coligação inusitada a acreditar que fora o PS a pedir aquele favor. Mas não, ninguém de bom senso, ninguém minimamente sério, ninguém minimamente honesto poderia sugerir, ou mesmo pretender fazer resultados eleitorais com base numa calúnia. Ninguém minimamente honesto poderia acreditar que os portugueses seriam tão susceptíveis ao ponto de interiorizarem o chorrilho de disparates lançados nos media.

Ainda hoje, Pais do Amaral, antigo dono da Media Capital – TVI, assume que aquela decisão foi meramente empresarial. Quando instado a comentar o serviço de Manuela Moura Guedes, diz que sob a sua orientação nunca teria sequer existido.
Mas não, a oposição em Portugal, assume-se de tão baixo nível, aceita uma condição de completa desonestidade, desde que daí possa retirar algum dividendo político.

Independentemente da qualidade do serviço informativo em causa, independentemente da oportunidade escolhida, o que mais me agonia é esta sede maquiavélica de poder, que leva a que tudo pareça aceitável, desde que a líder do PSD consiga alcançar o poder. Não interessa como, não interessa se há ou não um programa para o país. O que importa é que o poder lhe caia nas mãos. Na VISÃO da semana passada diz-se que Ferreira Leite tem um espírito vingativo. De que pretende vingar-se? Do seu próprio insucesso, inabilidade ou incapacidade em controlar o défice, que aliás foi posteriormente controlado pelo Ministro Teixeira dos Santos?

Incomoda-me que todos os meios sejam mesmo equacionados, inclusivamente esta total desconsideração pelo eleitorado, aqui encarado como uma massa que em tudo acredita.

A verdade é que duas Manuelas têm, nas últimas semanas, tentado destilar todo o seu veneno congénito no Secretário-Geral do PS. A verdade é que a possibilidade de derrota do PSD tem impelido a que esse veneno se apure.

Porém, é também verdade que os portugueses não são estúpidos e não engolem tudo o que se lhes dá. Nem mesmo que a dimensão da boca seja de tal modo grande que lá caiba toda uma estação de televisão cheia de veneno por destilar.

Hoje não me apetecia escrever. Estive todo o dia agoniado com tanto azedume mediático. Mas optei por me agarrar ao computador, forçar e forçar mais um pouco, não fosse alguém considerar que eu estaria a limitar a minha própria liberdade de expressão, tão duramente conquistada em 25 de Abril de 1974, quando os companheiros do actual presidente da República tentavam uma solução de compromisso com o regime de Caetano.

Rui Estêvão Alexandre