O LEGADO DE ABRIL NA HISTÓRIA DE UM PORTUGAL DEMOCRÁTICO

Vasco Lourenço e Alfredo Barroso - Num jantar que contou com mais de uma centena de pessoas, Vasco Lourenço e Alfredo Barroso partiram as suas memórias e evocaram os valores de Abril e o legado da "Revolução dos Cravos" na história de um Portugal democrático.

JOSÉ LUÍS JUDAS NO JANTAR DO CLUBE A LINHA

O Clube A Linha contou com a presença de José Luís Judas onde foi especificamente abordado o processo de concepção e execução da estratégia e do projecto que conduziu à vitória do Partido Socialista nas eleições autárquicas em Cascais, com o slogan "mudança tranquila".

VÍTOR RAMALHO NO CLUBE A LINHA

Vítor Ramalho, Presidente da Federação de Setúbal do PS, recordou a matriz genética do partido Socialista, debruçando-se especificamente sobre os desafios autárquicos com que o PS se vê confrontado no Distrito de Setúbal, apresentando a estratégia política seguida nas últimas eleições autárquicas, bem como o caminho que se está a trilhar naquele distrito.

OS DESAFIOS DO CRESCIMENTO ECONÓMICO

Vieira da Silva e Pedro Marques - Cascais acolheu José António Vieira da Silva e Pedro Marques para mais um debate promovido pelo Clube A Linha, onde os convidados partilharam com o auditório, a sua visão sobre os desafios que Portugal enfrenta em matéria de crescimento económico.

OS DESAFIOS AUTÁRQUICOS DE 2013: CONTRIBUTOS PARA A ACÇÃO POLÍTICA

José Junqueiro - Perante um auditório lotado, José Junqueiro sublinhou a importância das próximas eleições autárquicas para o Partido Socialista, onde se irão sentir pela primeira vez os efeitos da limitação de mandatos.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Carlos Leone: Da Cidadania Activa à Democracia Participativa - A Influência das TIC

Há já mais de uma década que as «novas tecnologias da informação e comunicação» fazem parte das nossas vidas diárias, com a generalização da Internet, dos telemóveis, das soluções informáticas para quase tudo, incluindo vida doméstica. Continuam, no entanto, a ser «novas», tal como os PC’s e Mac’s, ainda mais antigos, continuam a revestir-se ciclicamente de uma aura de novidade para efeitos comerciais.

Mas que novidades existem na comunicação quando evolui dos sites para os blogs, destes para os V-logs («V» de vídeo) e, agora, para os twitters que tanto entretêm os nossos deputados durante debates? Invariavelmente, é de um empobrecimento, de uma literal redução do pensamento que se trata sempre, potenciando assim o continuo discurso sobre a degradação da cultura, do pensamento, da língua, etc., que todas as sociedades conhecem e que, em Portugal, é antiquíssimo. A proliferação de informação que não interessa a ninguém (dito de outro modo, de comunicação socialmente irrelevante), a respeito de celebridades ou de «cidadãos vulgares», aliás, também não é exactamente nova e desde o século XIX que muitos autores a acompanham e a caracterizam como uma parte inalienável das sociedades democráticas modernas. Mas, de ser «inalienável» até se tornar uma espécie de alienação garantida, vai um passo. E esse passo não é tecnológico nem económico, mas sim político – na acepção mais ampla (social) do termo.

Como tantas vezes sucede, as novidades chegam-nos dos EUA. Lá como cá, também se twitta durante debates sobre o estado da nação. Mais importante ainda: cada vez mais a política profissional se serve do «caso americano» para desenvolver soluções de comunicação e informação de matriz tecnológicas. Recentemente, vemos a procura do PSD para ter o seu Obama, o recurso do PCP a um slogan «obâmico» e a personalização em José Sócrates do PS, associada à organização de congressos e outras actividades públicas segundo o modelo encenado para TV típico dos EUA. Atendendo à diferença de escala, de composição social, de acesso e hábitos de uso da Internet, à própria organização das máquinas partidárias e aos modos de financiamento, e decerto a mais factores ainda, as adaptações a fazer, para justificar o investimento nesse modelo e obter «retorno», terão de ser muitas. Embora o entusiasmo com que tantos aderem a tudo o que é tecnológico (sucedendo ao entusiasmo com a ciência, com a qual a tecnologia é hoje confundida…) me pareça ser até um entrave a todo o processo de integração destas práticas e instrumentos ao nosso país.

Será esse debate (espero), além de outros, que, no próximo dia 2 de Abril, A Linha irá desenvolver.

Carlos Leone
Membro do Clube de Reflexão Política A Linha
Membro do Clube do Chiado

Convite: Da Cidadania Activa à Democracia Participativa - A Influência das TIC

O Clube de Reflexão Política A Linha, tem o prazer de a(o) convidar para a sessão subordinada ao tema “Da Cidadania Activa à Democracia Participativa – a influência das TIC, que terá lugar no próximo dia 2 de Abril (5.ª feira), às 21h00, no Auditório Ferreira da Costa da Associação Nacional de Engenheiros Técnicos (ANET), Praça D. João da Câmara, 19, Lisboa (no Rossio).

Contamos com a sua participação!

terça-feira, 24 de março de 2009

Mónica Cunha: Quem será o(a) próximo(a) Provedor(a) de Justiça? Aceitam-se apostas.

Segundo os Estatutos, o Provedor de Justiça é, nos termos da Constituição: “um órgão do Estado eleito pela Assembleia da República, que tem por função principal a defesa e promoção dos direitos, liberdades, garantias e interesses legítimos dos cidadãos, assegurando, através de meios informais, a justiça e a legalidade do exercício dos poderes públicos”.
É por demais evidente a relevância desta função, na defesa dos direitos do cidadão, na prevenção e reparação de injustiças.
Assim, a escolha do próximo(a) Provedor(a) de Justiça diz-nos respeito a todos.

O que causa manifesta estranheza é a (aparente) complexidade em encontrar alguém que preencha os principais requisitos de elegibilidade: “reputação de integridade e independência”.
A demora (9 meses) na resolução deste impasse político é, sem dúvida, um sinal preocupante para a democracia. Por um lado, realça a dificuldade na escolha da personalidade mais adequada para exercer com autonomia este importante cargo; por outro, evidencia a dificuldade de entendimento entre PS e PSD em prol do bem comum.
É por isso, que esta situação causa incómodo geral e até embaraço (tardio) ao Presidente da República.

Mas e o cidadão comum, perante esta situação de “birra” entre Partidos, não pode fazer nada? Provavelmente só lhe resta apresentar queixa ao actual Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, pela manifesta incapacidade dos poderes públicos resolverem a sua própria sucessão!

Paço de Arcos, 23 de Março de 2009
Mónica Cunha
Militante da Secção do PS de Oeiras

quarta-feira, 18 de março de 2009

Homenagem ao nosso querido amigo José Manuel Carinhas

Faleceu o Eng. José Manuel Carinhas

Foi com profundo pesar que soubemos do falecimento do nosso querido amigo José Manuel Carinhas no passado dia 15 de Março.

“as pessoas valem pelo que fazem, mas valem sobretudo pela herança moral que deixam e a sua capacidade de se relacionar com todos, independentemente da sua sensibilidade política ou social”.
António Arnaut

O Clube de Reflexão Política A Linha apresenta as mais sentidas condolências aos familiares e amigos do Eng. José Manuel Carinhas
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"Os anos de trabalho foram alguns e acabei por lhe ter muito respeito e até algum carinho paternal, tínhamos grandes discussões mas sempre reconhecia que eu fazia o meu papel em defesa das empresas e que o respeitava.
Por vezes voltava a trás e dizia na assembleia, “eu pensava que tinha razão, mas ……” e ali mesmo mudava a sua posição.

Tinha discussões acesas com [então presidente da Câmara] Luis judas, de quem era grande amigo, mas a defender o turismo do Estoril era imparável.
Quando ali chegou não tinha experiencia em gerir o turismo, mas passado 1 anito deixava todos boquiabertos com decisões e discurso de alguém extremamente experiente na actividade.

Moralizou a instituição e esquecia a politica partidária e reconhecia o mérito das pessoas. Lembro-me do processo disciplinar com a esposa do Pedro Campilho (PSD, na época deputado) e dizia, “estou-me nas tintas que ela seja do psd, é uma excelente funcionária” e era assim o seu trabalho!

Estou certo que ao ler o teu artigo iria retirar o eng.º, ou não fosse ele o Carinhas da JTCE".
Pedro Canelas

segunda-feira, 16 de março de 2009

O mistério dos números

Segundo o DN de 19.2.09 – «Administração pública e educação seguram emprego» – a criação do emprego no sector estatal, explicaria «a estabilização da taxa de desemprego no último trimestre de 2008». Citava-se mesmo o primeiro-ministro: «O nível de redução de efectivos, que foi muito elevado em 2006, em 2007 e mesmo em 2008, não se continuará a verificar em 2009. Nós temos bem consciência que o emprego público pode dar um bom contributo para o emprego em Portugal».

Em 18 de Agosto, o discurso era um pouco diferente. Nessa data, anunciando a criação de mais de 130 mil «empregos líquidos» desde 2005, o primeiro-ministro sublinhava tratar-se de números relativos a «actividade económica privada», e não de ingressos na função pública: «Pela primeira vez desde há muitas décadas, o emprego público declinou». E a rematar, ainda e sempre seguindo a notícia publicada no site da RTP (cf. link): «Hoje o Estado tem menos 40 mil funcionários públicos do que em 2005”.

O que aborrece é a inconsistência entre as duas notícias. Em Agosto, decrescera consideravelmente o ‘emprego público’. E o chefe do executivo exibia um visível orgulho nisso. Mas em Fevereiro de 2009, poucos meses passados, diz-se que o INE revela 78 mil novos empregos «na educação e na administração pública». Ora, se novos empregos quer dizer o mesmo que «emprego líquido» e este quer dizer, em grosso, que se acrescenta ao que já temos, então, entre o que pensava o primeiro-ministro dos efeitos das suas políticas em matéria de emprego e o real efeito delas vai um abismo que oscila entre 80 e 120 mil ‘empregos públicos’ (aos que deviam ter deixado de haver devem somar-se aqueles de que se vem dizer agora que «seguram emprego»).

Mas o mistério não acaba aqui. E isto porque a uma política de efeitos colaterais-indesejados-virtuosos se junta uma improbabilidade numérica. Em primeiro lugar, presume-se que a educação absorve actualmente mais de 350 mil funcionários, quando se diz que «os mais 54 mil postos de trabalho» criados num ano representam um aumento de 17,4%. Em segundo lugar, representando esses novos 54 mil postos mais de 1/3 dos professores necessários, na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário, para cerca de 1 milhão e meio de alunos, e não havendo notícia nem de um acréscimo significativo da população escolar nem de recrutamento maciço de funcionários administrativos e auxiliares, não será ocioso perguntar onde param e o que fazem esses novíssimos ‘empregados públicos’. Segundo a visão do p-m em Agosto, tanto emprego estaria do lado da «actividade económica privada» e, assim, os números atrás seriam imputáveis, não ao sector público da educação, mas aos privados. Só que estes representam hoje quase nada no ensino superior e menos de 10% do total nos ensinos básico e secundário.

Talvez haja uma explicação.

domingo, 15 de março de 2009

Mónica Cunha: Mais Europa Social

A actual crise económica mundial representa uma ameaça à coesão social. Para minimizar os efeitos sociais negativos da crise, cujo principal é sem dúvida, o desemprego, é fundamental promover a solidariedade social, para assegurar que os mais vulneráveis, carenciados e desfavorecidos podem participar plenamente na sociedade.

Políticas sociais e de emprego fortes que reforcem a inclusão social através do combate à discriminação, estão assim no âmago da resposta à crise. Neste âmbito, a União Europeia tem um importante papel a desempenhar na defesa do modelo social europeu, baseado num modelo de desenvolvimento sustentável que saiba combinar crescimento económico e justiça social.

É necessária uma Europa da equidade, que consiga reduzir a disparidade entre os níveis de desenvolvimento das suas populações e regiões, através do reforço da sua coesão económica e social.

A par da Europa económica, do crescimento sustentado, da produtividade e da competitividade, é imperativo apostar, cada vez mais, numa Europa social, da inclusão, da igualdade e da empregabilidade, que ajude os cidadãos a enfrentar os novos desafios e exigências a que estão sujeitos (novas competências, novas tecnologias, globalização, envelhecimento), designadamente através da criação de mais e melhores empregos que possibilitem uma melhoria dos seus níveis de vida.

De salientar neste contexto, o relevante papel do Fundo Social Europeu (FSE), o principal instrumento financeiro da União Europeia dedicado às pessoas. Criado em 1957 através do Tratado de Roma, o FSE investe nos recursos humanos. Ao apoiar os trabalhadores a melhorar os seus níveis de educação, os seus conhecimentos e as suas competências, o FSE melhora as suas perspectivas e oportunidades de emprego e de rendimentos. E a qualificação e a adaptabilidade do capital humano são factores preponderantes para o desenvolvimento do potencial da União Europeia em termos de competitividade e de bem-estar social.

Os portugueses, enquanto cidadãos europeus, estão necessariamente envolvidos na construção de uma Europa mais equilibrada, uma Europa económica e social, e por isso, têm a oportunidade e o dever de participar, com o seu voto, nas eleições europeias em Junho.

Vote por uma Europa competitiva e socialmente coesa.

Paço de Arcos, 15 de Março de 2009




Mónica Cunha
Militante da Secção do PS de Oeiras

quinta-feira, 12 de março de 2009

Carlos Leone - A linguagem do PS e a do BE

No último Expresso da Meia Noite (SIC Notícias), sobre a crise financeira, Louçã comentava que um dado banco cobra 28% de juros, desafiando João Duque a dizer se achava bem. Este, visivelmente atrapalhado, lá disse «se as pessoas aceitam...», o que deixou o deputado do BE calado, com um olhar de cinismo revoltado.

Com efeito, estes juros são verdadeira usura (a ser verdade, claro, o BE não é grande fonte...). Contudo, forte da sua pureza moral, o BE não pode dizê-lo, pois soaria ingénuo, e eles é que topam tudo ao «capital». Quando o «sistema» se escuda na adesão das pessoas, resta-lhes o silêncio condenatório, o olhar de superior desprezo moral, o sorriso enojado.

Ora, na Esquerda portuguesa só o PS tem legitimidade para poder exprimir inteiramente uma crítica construtiva de tudo isto, precisamente por ser o único partido que luta por ter responsabilidade governativa e, assim, diferenciar Esquerda e Direita em Portugal. Reforçar os poderes do Banco de Portugal, combater a corrupção e a criminalidade económica, legislar para contrariar juros daqueles (ou empréstimo para habitação a pagar durante 50 anos...). Tudo isso é um programa. Resta saber se o PS o vai enunciar, parece que este ano é que tem de ser.

Carlos Leone
Membro do Clube de Reflexão Política A Linha
Membro do Clube do Chiado

quarta-feira, 11 de março de 2009

Rui Alexandre: A esquizofrenia do Ser

Fomos recentemente surpreendidos com declarações de militantes do Partido Socialista que assumiam a vontade de avançar com uma candidatura às legislativas, no caso de a CRP permitir a candidatura de independentes.

Uma questão que, à partida, pode até parecer um tanto castradora da vontade individual em apresentar-se como candidato ao lugar de deputado, deverá, contudo, ser alvo de uma leitura mais profunda.

Ora, como está claramente expresso na Constituição da República, no seu art.º 151º nº1, “as candidaturas são apresentadas, nos termos da lei, pelos partidos políticos, isoladamente ou em coligação, podendo as listas integrar cidadãos não inscritos nos respectivos partidos”.

Não se percebe, deste modo, como é que alguém que foi deputado na Constituinte e que em tempos se propôs a ser o garante máximo da Constituição possa agora vir desenhar cenários com base em premissas inconstitucionais.

Poder-se-ia dizer que o objectivo é ser controverso. Muito bem. Mas em que medida as linhas de conduta para exaltação dessa controvérsia se coadunam com a lealdade necessária à boa convivência democrática?

Para ser consequente com as afirmações que faz há que agir em conformidade. Pois que se a vontade é candidatar-se ao lugar de deputado sem qualquer conotação partidária, assiste a qualquer deputado a possibilidade de apresentar projectos de lei (ou de alteração à lei), ao caso a Fundamental, onde apresenta a possibilidade de independentes se candidatarem ao lugar de deputado. Porém, propor uma medida desta natureza exige que se esclareça como e com que meios, será possível organizar milhares de candidaturas espontâneas que venham a perfilar-se, entre outras questões tão ou mais pertinentes que esta.

Em Democracia os partidos são instituições livres, abertas e plurais. Conviver em Democracia é aceitar as regras estabelecidas e sufragadas pela maioria, sempre com a certeza de que nada é eternamente seguro. Qualquer lei, incluindo a Fundamental, poderá ser alterada, ou mesmo revogada no seu todo. Porém há mecanismos democráticos para o efeito.

É certo que quando a dificuldade em conviver com as regras da Democracia causam um tal tipo de azedume cujo único antídoto é o despejar da bílis frente à imprensa, talvez seja, então, tempo de fazer uma pausa e pensar. Pensar se o derramar constante dessa bílis é saudável para o sistema Democrático. Se o credibiliza e o faz crescer. Se o fortalece.

Lutar com todas as armas Democráticas para garantir mais consistência ao sistema é, pois, fundamental. Salvaguardar, porém, que a deslealdade não é uma arma Democrática. É símbolo da fraqueza reprimida.

Rui Alexandre
Politólogo
Membro-Fundador do Clube de Reflexão Política A Linha

segunda-feira, 9 de março de 2009

Para uma história social da desigualdade

Não são poucos os que, nos meios da esquerda, crêem ser sustentável que as sociedades se explicam em termos sociais. Por isso, quando se trata de julgar as políticas, não confundindo aquilo que depende da intencionalidade dos actores com o que nunca poderá ser-lhes imputado, esses mesmos não deixam de sublinhar o papel das instituições, das leis e da acção deliberada dos grupos e dos indivíduos na produção das situações e dinâmicas que querem remediar, modificar ou, pelo contrário, emular, generalizar.

Entretanto, já se conhecia, mas voltou a atingir, nos últimos tempos, o limite do tolerável, a banalização das explicações para a desigualdade fundadas numa espécie de história natural (e, manda a ‘correcção política’, inteiramente despojada de intelligent design), que só aos ‘vencedores’ concede a garra, a raça, a inteligência, e, enfim, a ‘humanidade’ suficiente para justificar a parte de leão que para si reservam dos bens socialmente produzidos. Tais explicações são o vade mecum dos grupos que se organizaram para – à semelhança dos integrantes do movement conservatism, que há cinquenta anos começou a tomar de assalto o Partido Republicano – facilitar a construção de um ‘senso comum’ submisso e complacente, invariavelmente em conflito com a evidência empírica disponível.

Nos EUA, como em Portugal, o crescimento da desigualdade, como o enfraquecimento das instituições do Estado ou a supressão de direitos, têm raízes nos movimentos sociais, nos partidos políticos e nos programas que, expressa ou tacitamente, os advogam e põem em prática.
Em breve tentarei uma espécie de recensão. Por agora, limito-me a recomendar o livrinho que aqui vos deixo.

Bons sonhos!


João Santos

domingo, 8 de março de 2009

A Linha no Congresso Nacional do PS: A importância das eleições europeias

Na sequência da moção sectorial "Por um voto mais Europeu", apresentada ao último Congresso da F.A.U.L., o nosso camarada Paulo da Costa Ferreira fez uma curta intervenção ao XVI Congresso do Partido Socialista, como delegado eleito pela secção de Carcavelos e em representação do Clube de Reflexão Política a Linha, alertando para a importância do nosso próximo desafio eleitoral, cujo teor se passa a transcrever na íntegra:

"Caro Presidente do Partido,
Caro Secretário-Geral,
Caras e Caros Camaradas,

No âmbito do Clube de Reflexão Política A Linha, do qual sou membro-fundador, temos procurado promover o debate e a reflexão política com os militantes e simpatizantes do Partido Socialista.
Neste quadro e fruto de algum debate, vimos chamar à atenção neste Congresso para a importância das eleições europeias que se avizinham.Efectivamente, no próximo 7 de Junho, inicia-se um ano eleitoral invulgarmente intenso. A eleição do Parlamento Europeu costuma ser subvalorizada em Portugal mas, no actual contexto eleitoral do país, seria perigosamente insensato para o PS, menosprezar a importância desta votação na definição do sentido de voto dos portugueses.
A agravar às dificuldades de mobilização habituais, nos últimos anos assiste-se a uma progressiva sensação de afastamento dos cidadãos do projecto europeu, a qual urge combater.
Sabemos que este sentimento de distância relativamente aos centros de decisão e de que a Europa é uma realidade distante sobre a qual não é possível influir, favorece aqueles que pretendem que o voto europeu dos portugueses venha a ser usado como arma de arremesso contra a governação vigente.
Por tudo isto, o grande adversário do PS (nas eleições europeias como nas seguintes) é a abstenção.
Importa por isso, o quanto antes, consciencializar os cidadãos para o significado genuinamente europeu destas eleições, centrando necessariamente o debate público em torno dos valores fundamentais da construção europeia.
Para tanto, consideramos fundamental colocar como primeira prioridade na agenda política socialista a promoção da igualdade. Com efeito, no espaço da UE, a defesa da liberdade política está garantida tanto a nível institucional como ao nível da dinâmica das organizações da sociedade civil. Da liberdade de nações e de indivíduos depende tudo o resto, mas do sucesso de políticas de coesão social depende que esse «resto» continue a ser reconhecido como “Modelo Social Europeu”.
Em tempo de desafios, este deve ser o nosso compromisso para com os portugueses e perante a Europa.

Força PS, Força Portugal!"

sábado, 7 de março de 2009

Arménio Fidalgo Membro-Fundador do Clube de Reflexão Político A Linha é o Candidato do PS à Junta de Freguesia de Carcavelos


Mudar para pior: A Vila Estaleiro

Se mudar algo para que fique tudo na mesma já é de si um mau indicador, que dizer sobre mudanças para pior? Lamentavelmente Cascais não foge à regra...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Mónica Cunha: PS - Ao serviço de Portugal e dos Portugueses

José Sócrates abriu o XVI Congresso Nacional do Partido Socialista em grande forma. Começou por enunciar três razões para a sua candidatura: Responsabilidade Política, Responsabilidade Nacional e Ética Democrática, evidenciando que o PS tem a responsabilidade de apontar um rumo baseado numa forte liderança e governação credível, corajosa e firme que permita ajudar o país a ultrapassar os tempos difíceis com que se depara actualmente.

Insurgiu-se contra a “democracia do vale tudo”, da calúnia, da difamação, dos ataques pessoais e das campanhas negras, apelou ao confronto de ideias, com base na força das convicções, salientando que o PS tem um combate a travar pela decência na vida democrática.
O Secretário-Geral do PS relevou que “quem governa é quem o povo escolhe e não qualquer director de jornal ou TV”, defendendo que “o PS é o Partido da Liberdade Livre”.

No que respeita a propostas políticas, José Sócrates apresentou em traços gerais a sua moção política “PS: A força da mudança em Portugal”, enfatizando que o PS governa em nome do interesse geral e que tem tido uma governação reformista em várias áreas, nomeadamente, na Segurança Social, Administração Pública, Saúde, Ensino Superior, Ciência, Energia Renováveis, mas sobretudo na Educação, no combate ao abandono e insucesso escolar e na promoção da Escola Pública, para promover a Igualdade de Oportunidades, e na defesa das qualificações, enquanto motor do combate às desigualdades sociais, destacando que se encontram 750 mil portugueses inscritos no programa “Novas Oportunidades”.

Também sublinhou o combate à pobreza, destacando em particular, o impacto do complemento solidário para idosos. E ainda, a nova geração de políticas sociais, que demonstram a preocupação sempre presente da governação socialista: “qualificar e modernizar o país”.

Aludiu à crise internacional e aos seus efeitos em Portugal, ressalvando que este é o momento para apresentar soluções para o país e a este propósito, referiu que se trata de uma crise de regulação dos mercados e fluxos financeiros e que o papel da Europa pode ser determinante, designadamente, na eliminação dos offshores.

Sócrates prosseguiu o seu discurso, pela defesa do socialismo democrático, pela esquerda moderna, pela liberdade e igualdade de oportunidades, por uma globalização mais justa, que proteja o emprego e apoie os que mais precisam, centrando a sua intervenção no combate ao desemprego, salientando que esta é a ideia central das políticas sociais, e que neste âmbito, a estratégia do PS baseia-se em quatro eixos de actuação:



1. Estabilizar o sistema financeiro;
2. Apoiar empresas e apoiar o emprego;
3. Reforçar o investimento público;
4. Apoiar as famílias e reforçar a segurança social.

Neste contexto, Sócrates aludiu à importância da sensibilidade social do PS, elegendo o aumento do salário mínimo nacional para 450€, como uma das grandes “marcas do PS”.

José Sócrates aproximou-se do final do seu discurso sintetizando as ideias que estruturam o seu Programa político, centrado no emprego, no combate às desigualdades e na promoção da justiça social. Apontou a meta do alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos de forma a “criar um país com mais oportunidades, a começar pela educação”; e referiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo, rejeitando acusações de “táctica política”, e clarificando o sentido do combate à discriminação, por uma sociedade mais digna e mais justa.

Apelou à Maioria Absoluta, afirmando que o PS é um partido unido, com unidade na diversidade “onde não há excluídos”, destacando o Congresso como um importante espaço de liberdade, de debate político de homens e mulheres livres.

Terminou a sua intervenção, relevando que o PS é um referencial de responsabilidade, aberto à sociedade portuguesa, dando como exemplo maior de abertura e participação, o Movimento Novas Fronteiras criado em 2004 e sublinhando que o seu dinamismo é para continuar e aprofundar, em conjunto com a acção da Fundação Res Publica e da Geração de Ideias.

“PS: um Partido forte, aberto, com ideias, com princípios, valores e memória, consciente da sua própria identidade e orgulhoso da sua história”, destacou José Sócrates, pedindo aos militantes uma merecida ovação ao Presidente do Partido, Almeida Santos, que precedeu a grande ovação espontânea e confiante com que os militantes homenagearam o seu Secretário-Geral, José Sócrates.

E foi no auge daquele momento de esperança partilhada e renovada, que, no meio dos restantes militantes, pensei: que bom poder acreditar num futuro melhor, ao depositar a confiança no Partido Socialista, indiscutivelmente, “O Grande Partido da Esquerda Democrática”.

Paço de Arcos, 2 de Março de 2009
Mónica Cunha
Militante da Secção do PS de Oeiras

domingo, 1 de março de 2009

Fernando Montenegro: Recordar João Martins Pereira

No Post de 21 de Novembro, o meu querido amigo João Santos recordava a figura marcante de João Martins Pereira (V. http://clube-a-linha.blogspot.com/2008/11/joo-martins-pereira-1932-2008-nova.html) e a sua forma de pensar a esquerda fora de qualquer alinhamento político-partidário.

Espero que alguns dos excertos dos seus textos, que iremos publicar ao longo do mês de Março, despertem a vossa curiosidade e abram caminho à discussão crítica sobre o pensamento de João Martins Pereira.
Fernando Montenegro




O Que Muda e Não Muda (um excerto)


"É bem conhecida a frase do aristocrata siciliano do romance (e do filme) «O Leopardo», no meio do tumulto ameaçador da revolta liberal: «É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma». Temos aí a expressão mais feliz do que entende a direita quando fala da mudança». Entende - porque o «discurso da mudança» foi coisa que deu à direita só em tempos bem recentes. Antes, assumia-se como conservadora, no limite reformista, e isso ia-lhe chegando para ganhar eleições - ou para as ignorar. Só quando sábios «cientistas políticos» decidiram que tinha chegado o fim das ideologias e que a grande massa indifenrenciada do «eleiotrado médio» deixara de se motivar por questões ideológicas para apenas se reger por critérios de pragmatismo e «utilidade», a direita «mudou» o seu discurso: mudança, modernização, desenvolvimento, reformas estruturais passaram a fazer parte do seu vocabulário.


[...]".


In: João Pereira Martins, As voltas que o capitalismo (não) deu, Ed. Combate, p. 14